quinta-feira, 18 de junho de 2009

'BRIC é acrônimo em busca de um propósito', diz 'FT'

Editorial afirma que grupo é mais um 'palco de falação', mas reconhece que outros grupos são marcados por contradições.
BBC Brasil
18/06/2009
Os BRICs são um acrônimo em busca de um propósito, afirma um editorial do diário britânico Financial Times publicado nesta quinta-feira, comentando a reunião de Ecaterimburgo no início da semana.
"Justamente o que o mundo precisa: mais um palco de falação. Os quatro países do BRIC - Brasil, Rússia, Índia e China - se uniram nesta semana ao G2 e ao G20, sem mencionar o G7 e o G8, na busca eterna pelo comunicado perfeito", abre o editorial.
Segundo o jornal, "é fácil zombar do comentário do presidente russo Dmitry Medvedev, de que Ecaterimburgo é agora o 'epicentro da política mundial'".
"É uma descrição ridícula da reunião de um grupo que deve sua existência ao acrônimo criado por um economista do banco de investimentos americano Goldman Sachs".
"O centro de gravidade do mundo pode estar pendendo dos Estados Unidos e da Europa para a Ásia, acelerado por uma crise financeira que trouxe o ocidente para baixo e deixou outros, como a China e a Índia entre eles, mais fortes. Mas é pouco provável que uma nova ordem mundial gire em torno de Ecaterimburgo, não importa o que diga Medvedev."
O FT afirma que os BRICs não são "exatamente unidos", e que fica difícil para "duas democracias, uma democracia com tendências autoritárias e um Estado autoritário" se juntarem e "dividir valores".
"A Índia e a China são competidores estratégicos, tanto quanto aliados". Segundo o jornal, "a Índia teme a ascensão militar da China", e "nesta semana, vieram à tona tensões protecionistas entre os dois países".
Para o jornal, a Rússia "é um grande exportador de recursos", e a China "é um importador insaciável". Mas ainda assim, a Rússia "acompanha com preocupação o avanço da China na apropriação de recursos na África e, protege, enciumada, sua influência na Ásia central".
"O Brasil está em competição menos intensa com os outros três. Mas também está do lado errado do mundo", diz o jornal.
Mas ainda assim, para o FT, seria errado adotar uma postura cínica neste momento.
"Outros grupos também são marcados por contradições e objetivos concorrentes. A crise financeira global cria uma oportunidade para desafiar a ordem mundial, dominada há muito tempo por países ricos e servindo aos seus próprios interesses", afirma o diário britânico.
"Os BRICs estão certos em exigir maior voz em organismos onde a Europa está sobre-representada, como as Nações Unidas e o Fundo Monetário Internacional. Eles também estão certos em sugerir alternativas à grande dependência mundial dos dólares."
"Os BRICs são, de verdade, um acrônimo em busca de um propósito", diz o FT. "Mas é um pouco como Deus. Se Jim O'Neill não o tivesse inventado, alguém teria que fazê-lo."

Poor logistics cost Brazil firms time and money

Wed Jun 17, 2009 5:14pm EDT
By Reese Ewing
SAO PAULO, June 17 (Reuters) - Brazil has ample cash to revamp its dilapidated transport network even amid an economic recession but corruption and bureaucracy have hampered badly-needed improvements, a senior industry official said on Wednesday.
Paulo Protasio, president of the National Cargo Transport Association (ANUT), said Brazil's economy would be hamstrung in a few years unless the government and private sector found ways to improve movement of goods through ports, railways, rivers and highways.
"There's no lack of money or good projects," Protasio said on the sidelines of a seminar on infrastructure hosted by the agribusiness association Abag.
"The problem is poor management," he added. "The transport ministry says it's got 12 to 14 billion reais ($6.1 billion to $7.1 billion) to invest this year but only about 30 to 40 percent of that budget will ever get used."
The director of ports and services at the local arm of Bunge Ltd (BG.N), Antonio Carlos Rodrigues Branco, said Brazil's infrastructure is in critical condition because tax revenues from the transport sector have been used misused.
"The tax burden is high for the sector but government has always used funds poorly. Maritime tax revenues have gone to fund other areas of government interest rather than rebuilding and improving ports, or they have been embezzled to buy politicians country estates," Branco said.
Despite Brazil's competitive advantages in arable land, fresh water, mild climates and ample sunshine, the lack of port, railway, river barge and highway capacity to get farm goods produced deep in interior savannas to the coast has largely offset these pluses.
Chief Executive of Hamburg Sud-Alianca's Eastern South American Region Julian Thomas said that Brazilian ports were some of the most expensive in the world and yet inefficient compared to those in North America and Europe.
"By our calculations, we lose about $62 million a year due to the inefficiency and lack of capacity in Brazilian ports," he said. "Our ships lost 20,697 hours just waiting in Brazilian ports last year. That's like having two ships idle off a port for the whole year. We lose about 10 percent of our container business due to these delays, which is unacceptable."
He estimated Hamburg Sud accounted for about 20 percent of the movement of goods through Brazilian ports, mostly in the container market.
"We need to reach an agreement and prioritize infrastructure projects so we can get them off the drawing board or in as little as five years everything could grind to a halt," warned Carlo Lovatelli, president of Abag.
(Editing by Lisa Shumaker)

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Hipermercados garantem alta nas vendas no varejo

Arrecadação de impostos cai por 7º mês consecutivo no Brasil

Certificação obrigatória não agrada dirigentes de fundos de pensão, mostra pesquisa

IBGE: Páscoa leva vendas do varejo a alta de 6,9% em abril

Terra / Daniel Gonçalves
17/06/2009
O volume de vendas do varejo brasileiro cresceu 6,9% em abril, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, informou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já a receita nominal do setor subiu 13%, na mesma base. "(O resultado) bem acima das taxas observadas em março, devido ao deslocamento da Páscoa, de março para abril, entre 2008 e 2009", aponta o levantamento.
O coordenador de Serviços e Comércio do IBGE, Nilo Lopes de Macedo, explicou a influência da data comemorativa nos resultados da pesquisa. "Na verdade ela está influenciada por causa do calendário. É a mesma explicação para o mal desempenho na comparação anual do mês de março. É o efeito-calendário. Em 2008 tivemos a Páscoa em março, e este ano caiu em abril. Então (o resultado) está subestimado por causa disso", disse ele.
A estabilização dos números na comparação com ajuste sazonal não pode ser encarada como uma boa notícia já que o desempenho do setor caiu muito desde a crise econômica mundial. "É positivo, mas (o resultado) está bem abaixo do que o comércio varejista vinha crescendo até setembro do ano passado, antes da crise", explicou.

EUA terão regulador único para grandes bancos, diz Obama

AFP
17/06/2009
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta terça-feira o controle dos grandes bancos por uma única agência reguladora, como parte das reformas financeiras destinadas a prevenir a repetição da crise no setor.
"O que faremos, e o que está contido em nossa proposta, é que para as grandes instituições, de primeira linha, as que exigem nosso apoio em caso de fracasso, esse pessoal terá que estar sob um único corpo regulatório", disse Obama em entrevista ao canal de televisão CNBC.
Obama planeja detalhar nesta quarta-feira seus planos de reforma financeira, numa tentativa de proteger os consumidores dos excessos do setor, acusado de levar a economia americana e mundial à crise.

Certificação obrigatória não agrada dirigentes de fundos de pensão, mostra pesquisa

Segundo levantamento da APEP, proposta de obrigatoriedade é considerada supérflua e sinônimo de mais custos e burocracia
InfoMoney
17/06/2009
Uma pesquisa realizada pela APEP (Associação dos Fundos de Pensão de Empresas Privadas) concluiu que a proposta de certificação obrigatória de dirigentes de fundos de pensão - em estudo na SPC (Secretaria de Previdência Complementar) - desagrada aos fundos patrocinados pelo setor privado, que a consideram supérflua e sinônimo de mais custos e burocracia.
O levantamento mostra que a opinião dominante no segmento é de que os parâmetros estabelecidos pela Lei Complementar 109/01 são mais do que suficientes para o preenchimento dos cargos na diretoria executiva e nos conselhos deliberativo e fiscal.
Assim, cabe destacar que para 79,2% dos entrevistados, após o cumprimento dos requisitos definidos pelo marco regulatório, a escolha e a indicação dos dirigentes devem ter como único referencial o processo previsto no estatuto de cada fundo de pensão.
Entrevistados defendem adoção voluntária
Por outro lado, uma constatação curiosa feita pela pesquisa é de que não há rejeição dos participantes à certificação proposta, desde que as regras deixem a critério dos fundos a sua adoção voluntária.
Na opinião de 60% dos entrevistados, esse seria o caminho a ser seguido, sem qualquer prejuízo aos fundos de pensão no sistema de avaliação de risco da SPC. Outros 10,4% também defendem o caráter voluntário, mas com algum prejuízo na avaliação, o que seria uma espécie de "incentivo" à certificação de dirigentes e conselheiros.
"A certificação é uma boa ideia. O problema é a forma impositiva com que a SPC pretende implantá-la", afirma Paulo Tolentino, presidente da APEP. "Em vez de impor, seria muito mais vantajoso induzir, estimular e convencer os fundos de pensão sobre as vantagens da certificação", completa.
Obrigatoriedade pode ser prejudicial
Os representantes dos fundos de pensão ouvidos pelo órgão também acreditam que, além de não trazer benefícios, a obrigatoriedade poderá contribuir até mesmo para o encolhimento do sistema fechado de previdência complementar.
Para 25% deles, a medida representará, caso implantada, apenas um ônus a mais devido à complexa regulamentação a que estão sujeitas. Porém, mais preocupante é o fato de 35,4% dos entrevistados acreditarem que a certificação compulsória provocará uma migração de patrocinadores do setor privado para o sistema aberto.
"Embora não explicitado no levantamento, há um grande incômodo no setor em razão de tal exigência não ter precedente, considerando-se cargos diretivos em qualquer ramo de atividade do País, mesmo nos mais sensíveis e vitais, caso do sistema financeiro. Certificações só costumam ser exigidas de técnicos, razão pela qual os dirigentes de fundos de pensão estão se sentindo rebaixados a este nível", esclarece Tolentino.

Arrecadação de impostos cai por 7º mês consecutivo no Brasil

EFE
17/06/2009
A arrecadação de impostos no Brasil caiu 6,06% em maio, a sétima queda mensal consecutiva, para R$ 49,8 bilhões, informou a Receita Federal.
No acumulado do ano, a receita dos cofres públicos somaram RS$269,7 bilhões, com uma redução de 6,9%, comparado aos cinco primeiros meses de 2008.
A principal razão para explicar a queda na arrecadação é a redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, eletrodomésticos linha branca e materiais de construção, explicou a Receita, em comunicado.
No início do ano, o Governo decretou fortes descontos no IPI de automóveis e chegou a reduzir a taxa a 0% para os modelos de menor cilindrada, destinados ao mercado de baixo poder aquisitivo, como medida para incentivar o estímulo das vendas no setor automotivo, um dos mais atingidos pela crise.
Nos primeiros cinco meses de 2009, a receita proveniente do IPI sobre automóveis caiu 81,8%, detalhou o comunicado, embora este fator deixe de pesar nas contas públicas a partir de julho, já que o Governo já anunciou que não vai prorrogar por mais tempo os descontos tributários pela melhoria do setor.
Além dos descontos tributários, outros fatores associados à crise também contribuíram negativamente nestes cinco meses, como a queda dos lucros das empresas (-29,5%), o retrocesso da produção industrial (-14,6%) e a queda das importações (-29%).
A queda da arrecadação obrigou o Governo a aplicar cortes no orçamento de diversos ministérios e a revisar para baixo alguns investimentos que estavam previstos.
O Brasil está oficialmente em recessão técnica, por acumular dois trimestres de crescimento negativo, com a retração do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,6% no último trimestre do ano passado e de 0,8% nos três primeiros meses de 2009.

Hipermercados garantem alta nas vendas no varejo

Valor Online / Rafael Rosas
17/06/2009
O desempenho do grupo Hiper, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo garantiu a forte alta de 6,9% do volume de vendas do comércio varejista em abril, em relação a igual mês do ano passado. O grupo subiu 14,1% nesta comparação, a alta mais significativa desde os 14,2% observados em abril de 2006.
Nilo Lopes de Macedo, da coordenação de serviços e comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), credita o bom desempenho do grupo, e a consequente alta do volume de vendas do comércio, ao efeito calendário. Segundo ele, a Páscoa em abril favoreceu a comparação com abril de 2008, quando o feriado caiu em março.
" O resultado do varejo em abril tem a ver com o efeito calendário. A Páscoa teve impacto muito forte no setor mais pesado, que é o de Super e Hipermercados " , afirmou Macedo, lembrando que, em abril, o peso do grupo de Super e Hipermercados no comércio varejista foi de 47,5%.
Nos demais grupos, Macedo chamou a atenção para o efeito negativo da crise econômica sobre atividades mais dependentes do crédito. O grupo Móveis e Eletrodomésticos teve redução de 10% no volume de vendas em abril, na comparação com abril do ano passado, enquanto Veículos, Motos, Partes e Peças caiu 11,3% e Material de Construção recuou 15,8%, esses dois últimos grupos já dentro do varejo ampliado, que recuou 0,8% em abril, a despeito do bom desempenho dos super e hipermercados.
Macedo recordou que a redução do IPI para a linha branca foi anunciada apenas no dia 18 de abril, o que comprometeu as vendas de eletrodomésticos na primeira quinzena de abril, uma vez que a desoneração já era aguardada pelos consumidores.
Na construção, a desoneração, anunciada no fim de março, ainda não foi totalmente apreendida pelo índice de abril, enquanto, em relação aos veículos, o técnico do IBGE observou que a demora no anúncio da prorrogação dos cortes de alíquota levaram a um consumo maior em março, reduzindo as vendas de automóveis em abril.
" A implementação da redução do IPI para a linha branca foi na segunda metade do mês de abril. Então, o impacto ainda não foi visto nos nossos números. É muito provável que, no mês que vem, esse impacto seja mais observado " , destacou Macedo.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Aumenta o cerco contra informação privilegiada

BNDES já aprovou R$ 59, 3 bi em empréstimos para projetos do PAC

Brics vão superar economias ricas em duas décadas, prevê economista

FGV: 87% das empresas têm dificuldade para investir em 2009

Obama deve propor reforma na supervisão estatal sobre mercado financeiro

EFE
16/06/2009
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve propor na quarta-feira uma profunda reforma dos mecanismos de supervisão estatal sobre os mercados financeiros que "proteja o sistema contra seus próprios excessos", declarou hoje o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner.
Geithner e o diretor do Conselho Econômico Nacional, Lawrence Summers, explicaram em artigo de opinião publicado hoje pelo jornal "The Washington Post" os aspectos principais da reforma que Obama deve anunciar em dois dias.
"A meta é a criação de uma regulação mais estável, que seja flexível e eficaz", dizem Geithner e Summers.
Já a edição de hoje do jornal "The Wall Street Journal" informou que a proposta do Governo inclui entre outros aspectos um fortalecimento do papel do Federal Reserve (Fed, banco central americano) e a criação de um novo organismo que vigie de perto os produtos financeiros oferecidos aos consumidores.
Em seu artigo, Geithner e Summers dizem que o Governo americano identificou "cinco problemas-chave do sistema regulador existente" que teriam tido "um papel direto na geração ou na intensificação da crise atual".
Uma dessas questões seria a de que "as regulações existentes enfocam a solidez de instituições financeiras, mas não a estabilidade do sistema como um todo".
Outro aspecto citado por Geithner e Summers é que "a estrutura do sistema financeiro mudou, com um crescimento espetacular da atividade financeira fora do sistema bancário tradicional".
Os dois também lembraram que "o Governo não tem as ferramentas necessárias para conter e conduzir as crises financeiras", motivo pelo qual Obama vai propor "o estabelecimento de um mecanismo que permita a resolução ordenada de qualquer companhia financeira cujo colapso ameace a estabilidade do sistema".
Além disso, Summers e Geithner demonstração sua disposição para liderar "o esforço para melhorar a regulação e a supervisão no mundo todo".
Na quinta-feira, o secretário do Tesouro americano vai ao Senado e à Câmara de Representantes para explicar o plano e enfrentar as críticas dos que se opõem a conceder um maior peso à capacidade de intervenção do Estado.

Brics vão superar economias ricas em duas décadas, prevê economista

BBC Brasil
16/06/2009
De acordo com as projeções revisadas do economista Jim O'Neill, chefe da área de pesquisa econômica global do banco de investimentos Goldman Sachs, em 2027 a economia da China vai ultrapassar a dos Estados Unidos, fazendo com que o grupo dos países reunidos na sigla BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) superem as economias ricas do chamado G7 em menos de duas décadas.
"Isso é cerca de dez anos antes do que quando analisamos o assunto inicialmente", escreveu O'Neill em um comentário recente no site do banco. O'Neill é o economista britânico que criou o termo em um estudo de 2001 intitulado "Sonhando com os BRIC: o Caminho para 2050".
A virada no cenário traçado pelo economista pode ocorrer mais cedo, principalmente, por conta de um crescimento da China, ao longo dos últimos anos, muito superior ao esperado por ele quando as primeiras projeções foram feitas. Além disso, ele espera que os emergentes do grupo se recuperem dos efeitos da crise antes das economias desenvolvidas.
O'Neill destaca que esse novo cenário não prevê que a elevada expansão na China e na Índia, dos últimos anos, sejam repetidas, mas sim que esses países cresçam, entre 2011 e 2050, a uma média de 5,2% e 6,3%, respectivamente.
"Para a China e para a Rússia, isso é cerca de metade da taxa de crescimento da última década", comparou.
"Apenas o Brasil vai precisar crescer com mais força do que até agora", acrescentou, referindo-se à projeção para o Brasil de crescimento médio de 4,3% entre 2011 e 2050. A expectativa para a Rússia é mais modesta, de 2,8% para o período.
O cenário considera uma média de crescimento no G7, por outro lado, de apenas 1,6% entre 2011 e 2050.

BNDES já aprovou R$ 59, 3 bi em empréstimos para projetos do PAC

Banco estatal se torna principal financiador do programa do governo federal
Valor Online / Cristiano Romero
16/06/2009
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) se tornou o principal financiador do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). De janeiro de 2007, mês em que foi lançado o PAC, a maio deste ano, o banco aprovou empréstimo total de R$ 59,3 bilhões a projetos previstos no programa, tendo desembolsado efetivamente R$ 27,8 bilhões, quase R$ 6 bilhões a mais do que os pagamentos feitos, no mesmo período, com recursos do Orçamento Geral da União.
O diretor de infraestrutura do BNDES, Wagner Bittencourt de Oliveira, calcula que, dos R$ 600 bilhões de investimentos estimados pelo PAC para o período 2007-2010, cerca de 42% estão sendo alavancados pelo banco. Há na carteira do BNDES para o PAC, entre operações já aprovadas e em análise, financiamento total de R$ 104,8 bilhões para 268 projetos. Com a contrapartida das empresas estatais e privadas, o valor do investimento total sobe para R$ 183,7 bilhões.
Além dos projetos sob análise, há outros 40 na fila, com perspectiva de aprovação no futuro, somando mais R$ 23 bilhões. Se forem aprovados, elevarão o investimento total, segundo Oliveira, para R$ 250 bilhões, já incluídas nessa conta as contrapartidas das empresas beneficiárias dos financiamentos.
Os setores do PAC que mais têm se beneficiado de financiamentos do BNDES são os de energia (70,7% dos recursos aprovados), logística (21,6%) e infraestrutura social e urbana (7,4%). Dos recursos liberados, a maior parte - 33% - foi para a região Sudeste. A novidade é que as regiões Norte e Nordeste receberam, juntas, o mesmo montante do Sudeste. "Isso está contribuindo para desconcentrar os investimentos no país", disse ontem, em Brasília, o diretor do BNDES, lembrando que as liberações foram superiores à participação relativa dos Estados daquelas regiões no PIB nacional.
A Petrobras desponta como a principal tomadora de recursos do banco oficial. Oliveira calcula que, em 2009, o BNDES vai liberar R$ 44,7 bilhões para projetos do PAC. Do total, R$ 38,5 bilhões serão destinados ao setor de energia, sendo que R$ 25 bilhões (55% do desembolso previsto para 2009) apenas para a estatal.
Os números mostram que os desembolsos do BNDES para projetos de investimento no âmbito do PAC estão sendo feitos numa velocidade maior que os do orçamento do governo. Segundo dados oficiais divulgados recentemente, desde janeiro de 2007 a União empenhou R$ 40,7 bilhões para obras do programa, mas, até maio, apenas R$ 22,5 bilhões haviam sido efetivamente pagos.
O BNDES, por sua vez, vem acelerando os desembolsos. No ano passado, foram liberados apenas R$ 10,2 bilhões para projetos do PAC, o equivalente a 11% do total de empréstimos feitos pelo banco em 2008. Neste ano, o PAC deve consumir 40% do total de recursos a serem liberados pelo BNDES.

Aumenta o cerco contra informação privilegiada

Valor Online / Graziella Valenti
16/06/2009
O uso indevido de informação privilegiada é delito administrativo há 33 anos
A negociação de ações na Bolsa de Valores por investidores que dispõem de informações privilegiadas vem acompanhando o ritmo de expansão do mercado de capitais, segundo mostra estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Nos últimos dez anos, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) julgou 17 processos administrativos por uso de informação privilegiada, o chamado "insider trading", e firmou 15 termos de compromissos. São, portanto, 32 ocorrências avaliadas pelo regulador. Desse volume, quase a metade, 14, está concentrada nos últimos dois anos - 2008 e até maio deste ano.
O uso indevido de informação privilegiada é delito administrativo há 33 anos, desde a criação da Lei das Sociedades por Ações, em 1976. Mas, a partir de março de 2002, tornou-se também crime, com prisão de um a cinco anos. O "insider" virou crime porque atinge em cheio a credibilidade do mercado. "Sem confiança, o mercado não existe", diz Eli Loria, diretor da CVM,
Viviane Müller Prado, autora do estudo, afirma que o aumento dos casos averiguados pela CVM são reflexo da própria sofisticação e crescimento do mercado. A maioria está relacionada a fusões e aquisições ou reestruturações societárias. "Poucos são os casos relacionados a contratos operacionais."
O levantamento apontou ainda um aumento de acordos entre o acusado e o regulador, que antecipam o encerramento do processo. Dos 14 casos de uso de informação privilegiada avaliados, nove foram encerrados com termos de compromisso e apenas cinco foram resultado de julgamentos de processos administrativos.
Apesar do grande número de casos avaliados pela CVM, apenas um deles foi para a esfera penal até agora, para estrear a lei de 2002. No começo de maio, o Ministério Público Federal, órgão competente para isso, ofereceu denúncia contra os três acusados da prática de "insider" no episódio da oferta hostil lançada pela Sadia na tentativa de adquirir a Perdigão. O procurador da República Rodrigo de Grandis, autor da denúncia no caso da Sadia, destaca que a existência de um termo de compromisso firmado entre os indiciados e a CVM não elimina a investigação do crime, para a abertura de uma ação penal.

A dança das cadeiras no setor de varejo

Mudanças de estratégia e profissionalização da gestão levam empresas a mexerem no time de executivos
Valor Online / Claudia Facchini
16/06/2009
O vaivém de executivos nas grandes varejistas intensificou-se nos últimos meses. Entre as multinacionais, o Wal-Mart e o Carrefour estão reforçando o time na América Latina, o que é um sinal da maior importância da região no cenário global.
As empresas brasileiras também estão passando por transformações, motivadas tanto pela crescente tendência de profissionalização da gestão quanto por uma necessidade de renovação das lideranças.
O Wal-Mart trouxe de volta o ex-presidente do grupo no Brasil, Vicente Trius, que estava nos últimos dois anos à frente das operações na Ásia. Trius comandará de Miami (EUA) - apelidada de "capital" da América Latina - os negócios do Wal-Mart na região, onde o grupo fez recentemente uma grande aquisição.
O Wal-Mart comprou em janeiro deste ano a maior varejista do Chile, a D & S, pela qual pagou US$ 2,6 bilhões. A multinacional americana também mantém um plano agressivo de investimentos no Brasil, onde deve investir mais de R$ 1 bilhão neste ano.
No Carrefour, outro nome do alto escalão também está de volta: Eric Heiss. Ex-diretor financeiro da subsidiária brasileira, o executivo havia sido promovido a diretor financeiro do grupo, na França. Heiss responderá a partir de julho por um cargo recém-criado na operação brasileira, passando a chefiar os hipermercados. Quando esteve no Brasil, Heiss participou da constituição do banco Carrefour.
No caso das companhias brasileiras, mais varejistas estão passando por um processo de profissionalização da gestão. "No Brasil, esse é um setor no qual ainda existem muitas empresas familiares", afirma Paulo Amorim, da empresa de consultoria Korn/Ferry, especializada em seleção de executivos.
No entanto, a entrada de fundos de investimento no capital das companhias e o maior interesse dos controladores de abrir o capital no futuro estão levando muitas empresas a melhorar suas práticas de governança.
Esse é o caso do Magazine Luiza, rede de eletrodomésticos paulista, e da Quero-Quero, grande varejista gaúcha de material de construção e eletrodomésticos.
O controle da Quero-Quero foi comprado pelo fundo americano Advent em setembro de 2008. Neste ano, o fundo designou um executivo com larga experiência no varejo, Peter Furukawa, para presidir a rede gaúcha, que possui 170 lojas e fatura cerca de R$ 700 milhões por ano.
No Magazine Luiza, o fundo americano Capital Group detém uma participação no capital da empresa desde 2001, quando pagou R$ 120 milhões por 12% das ações. A varejista tem um firme plano de realizar uma oferta pública de ações na Bovespa e só não o fez até hoje porque a crise econômica a obrigou a adiar o processo.
Quem sempre esteve à frente do Magazine Luiza foi Luiza Trajano, sobrinha dos fundadores. Pela primeira vez, contudo, a empresa decidiu contratar um executivo de carreira. O escolhido foi Marcelo Silva. O executivo conduziu uma bem-sucedida re-estruturação de outra tradicional empresa familiar no país, a Pernambucanas, onde estava desde 2002. Luiza continuará como presidente, enquanto Silva passou a ocupar o cargo de executivo-chefe.

A new role as 'risk regulator' could reshape Fed

By JEANNINE AVERSA
The Associated Press
Tuesday, June 16, 2009; 12:05 AM
WASHINGTON -- The Obama administration's plan to revamp regulation and prevent any more crashes like those that felled AIG and Lehman Brothers includes a bold new idea: Empower the Federal Reserve to oversee the biggest financial players whose failure could threaten other institutions and the economy.
But some lawmakers and economists say making the Fed a "systemic risk regulator" would itself be a high-stakes risk that would distract from its core mission: reviving the economy.
They say the Fed shares blame for the financial crisis that erupted last fall. Along with other regulators, it failed to crack down on risky mortgages and lax lending standards that ignited the crisis.
Unless the Fed improved its oversight abilities, "giving the Fed more responsibility at this point is like a parent giving his son a bigger and faster car right after he crashed the family station wagon," said Mark Williams, professor of finance and economics at Boston University and a former Fed bank examiner.
Treasury Secretary Timothy Geithner and Lawrence Summers, head of the White House's National Economic Council, said in an opinion piece published Monday in the Washington Post that the Fed would become a "systemic risk regulator" for "large, interconnected firms whose failure could threaten the stability of the system."
They also would create a council of regulators, Geithner and Summers wrote. These regulators - which weren't identified - would serve as extra eyes and ears to help the Fed oversee financial products.
President Barack Obama plans to unveil the regulatory plan Wednesday, with congressional hearings the next day.
Even inside the Fed, there's recognition that its examiners would need to improve their ability to detect risks if it was to be made a new financial supercop. Under Alan Greenspan, who led it for 18 years, the Fed and other agencies overlooked the risks of allowing exotic mortgages to go to financially shaky borrowers. And they resisted efforts to regulate risky and complex instruments such as derivatives.
"We must ensure that we continue to increase our expertise so it is properly matched with the problems and challenges we will face in both our bank supervisory role and in meeting our traditional financial stability mandate," Chairman Ben Bernanke acknowledged in a recent speech.
Some lawmakers and Wall Street analysts worry, too.
Senate Banking Committee Chairman Christopher Dodd, D-Conn., and Sen. Richard Shelby of Alabama, the committee's senior Republican, say they're concerned about overloading the Fed while it's managing the financial crisis and fighting the recession. They say it needs to focus on monetary policy - the decisions about key interest rates that affect the economy.
Expanding the powers of the Fed, whose members aren't elected, would also raise concerns about accountability. Though the Fed has sought to be more open, it remains one of Washington's most secretive institutions.
"I just think we're heaping too much on the Federal Reserve," said Rep. Paul Kanjorski, D-Pa., a member of the House Financial Services Committee. Kanjorski said it would be a mistake to further empower an agency not accountable to Congress or the president.
"You can't fire the chairman of the Federal Reserve," said Kanjorski, who thinks the role of risk regulator should be given to the Treasury Department.
Michael Feroli, an economist at JPMorgan Economics, agreed: "The more the Fed leadership has to deal with, the less time it has to focus on any single issue."
The Fed had no official comment on the administration's proposals as laid out Monday by Geithner and Summers.
Many analysts agree that a potent regulator is needed to make sure institutions don't take the kinds of risks that last year ended up imperiling the banking system. When American International Group stood on the brink of collapse last year, for example, the Fed had to rescue it for fear AIG's failure would devastate the economy.
AIG's undoing was an unregulated unit that made disastrous bets on mortgage-backed securities and mismanaged credit default swaps - a form of insurance against bond defaults. With a systemwide risk regulator, the idea is that such problems could be spotted beforehand. Safety nets - like stiff capital requirements to protect against future losses - would be imposed.
It's unclear whether the Fed would have to hire additional banking examiners or other specialists to carry out its supercop duties. And it's not known how much other agencies would share information about companies or products.
Partly out of fear of concentrating too much policing power in the Fed, a council of regulators would work with the Fed to supervise "too-big-to-fail companies." Sheila Bair, head of the Federal Deposit Insurance Corp., and Mary Schapiro, chair of the Securities and Exchange Commission, favor this idea.
Even if the Fed's powers were expanded, history suggests it might be impossible to spot the next financial bubble - whether in housing, the stock market or elsewhere - before it forms.
"A strong systemic risk regulator is important," said Terry Connelly, dean of Golden Gate University's Ageno School of Business in San Francisco. "But you probably won't catch everything."