segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Jornal Economia em Notícia - Edição 41

Reforma tributária deve ser votada após eleições

Agência Estado
06/10/2008
Após a votação nas eleições municipais neste domingo (5) em todo o País, o Congresso Nacional retornará à normalidade nos próximos dias e o projeto da reforma tributária deverá ser colocado em votação.
O presidente da Comissão Especial da Reforma Tributária, o deputado federal Antonio Palocci, disse que não faz previsões de datas para entrada e conclusão das votações, mas destacou que isso será importante para o Brasil enfrentar a crise financeira mundial. "O Brasil precisa de medidas de reforma para resistir mais à crise financeira que nós estamos enfrentando", enfatizou o ex-ministro da Fazenda. Para ele, o País também não precisa fazer pacote econômico. "Pacote nunca fez bem ao Brasil, pois ele cobra a sua conta alguns anos depois", comentou ele. "E nesse assunto o Brasil é especialista, pois ninguém tem tanta experiência em pacote.
Palocci concordou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disse que tomará medidas necessárias, mas observando a situação com cuidado, mas sem pacotes. "De tantos (pacotes) que fizemos podemos chegar à conclusão muito certa, muito segura, de que é um mau caminho", explicou Palocci, acreditando que o povo norte-americano vai cobrar a conta do pacote de US$ 700 bilhões de resgate do sistema financeiro solicitado ao Congresso pelo presidente George W. Bush. "Acho que o pacote americano vai dar uma resposta ao problema bancário, que é grave, mas ele não resolve todos os problemas econômicos; é uma iniciativa importante (dos Estados Unidos), mas tem muito problema para equacionar no próximo período.
Apesar do recesso do Congresso Nacional antes da eleição, Palocci disse que se reuniu com o deputado Sandro Mabel (PR-GO) para detalhar o relatório da reforma tributária, negociando ainda com integrantes do Ministério da Fazenda. "É uma negociação muito complexa, cada palavra da reforma é uma reunião de negociação porque significa mudanças importantes", informou o ex-ministro. A negociação envolve ainda vários setores econômicos e os governos federal, estaduais e municipais, lembrou.

Fundos de ações de emergentes perderam US$ 28,5 bilhões no trimestre

Desse valor, US$ 17 bilhões saíram durante o mês de setembro.
Brasil ainda tem saldo positivo de US$ 113 milhões no ano.
Valor OnLine
06/10/2008

O terceiro trimestre de 2008 definitivamente não foi dos melhores para os Fundos de Ações Emergentes. Segundo a EPFR Global, a categoria perdeu mais de US$ 28,5 bilhões entre julho e setembro, o que corresponde a 25% do total de saques em todos os grupos de ações, que somaram US$ 113 bilhões. Cabe destacar que do total perdido pelos emergentes, cerca de US$ 17 bilhões saíram durante o mês de setembro.
O trimestre foi particularmente negativo para os Fundos de Ações da América Latina, que tiveram saques em todas as semanas do período, acumulando perda de US$ 5,1 bilhões.
Segundo a consultoria, assim como os emergentes da Europa, Oriente Médio e África (EMEA, na sigla em inglês), o grupo América Latina sofreu com a baixa no preço das commodities e o realinhamento das expectativas em torno do menor crescimento mundial.
No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o saldo na América Latina é negativo em US$ 4,175 bilhões, montante que contrasta com uma captação de US$ 8,208 bilhões em igual período do ano passado. Entre todos os emergentes, as retiradas somaram US$ 32,842 bilhões desde o começo do ano.

Crise terá impacto na reforma tributária e no Orçamento

DCI
06/10/2008

A crise financeira norte-americana vai interferir não só na economia brasileira como na agenda do Congresso Nacional no final deste ano. Na quarta-feira passada, o relator da reforma tributária, deputado Sandro Mabel (PR-GO), esteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pediu apoio para apressar a votação da matéria justamente por causa da crise. Outro efeito da turbulência nas bolsas deve atingir a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2009, com a mudança na expectativa de crescimento da economia mundial e brasileira.
Mabel disse acreditar que a eclosão da crise nos EUA vai servir para priorizar a votação da matéria. "Nós temos de procurar meios de ajudar a blindar a nossa economia e a reforma tributária faz parte desse processo", avaliou. Ele disse que esteve reunido com o presidente Lula , no Palácio do Planalto, em Brasília, para tratar do andamento da reforma no Congresso, audiência de que também participou o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.
De acordo com o relator Mabel, o teor da conversa foi a de convencer o presidente "da importância de se votar a reforma diante da crise americana". Isso porque, segundo o deputado, "a reforma vai fazer com que o País caminhe com mais segurança ao simplificar o sistema tributário, permitir um controle maior da arrecadação e a queda da carga tributária, entre outros pontos importantes. Isso é fundamental para o governo e para o setor produtivo", defendeu.
Mabel, que ontem estava participando das campanhas municipais no interior de Goiás, afirmou que Lula se mostrou interessado em votar rapidamente a matéria. Segundo o relator, o presidente teria reconhecido que a reforma tributária pode contribuir para amenizar um possível reflexo da crise dos Estados Unidos no Brasil. "O relatório da reforma tributária está praticamente pronto, estamos finalizando para colocar em votação na Comissão Especial, o que deve acontecer logo após as eleições", acredita.
Outro efeito da crise deverá ocorrer na LDO. "O governo vai ter que ajustar a proposta orçamentária, pois anteriormente se tinha um cenário de crescimento de 5% do PIB [soma das riquezas produzidas no País], mais recentemente se modificou para o índice de 4,5%. Sabemos, porém, que essa previsão não vai se sustentar", analisa o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP).
Para o socialista, a crise norte-americana vai ter um impacto também na questão legislativa. Para ele, o Congresso deveria dar atenção a duas matérias que podem se traduzir num controle melhor dos gastos governamentais. Uma é a lei das agências reguladoras e a outras a lei do gás, cita Jardim. "Acima de tudo, o governo vai ter que redefinir a política cambial, torná-la mais adequada."
Consoante com essa leitura, da importância da reforma tributária, o senador Adelmir Santana (DEM-DF), outra liderança empresarial no Congresso, destacou a necessidade de aprovação da matéria, em pronunciamento feito esta semana no Senado. Ele aproveitou para voltar a falar sobre o tema, mesmo em meio ao "recesso branco", ou seja, o esvaziamento tanto da Câmara quanto do Senado, por conta da agenda das eleições municipais.
"O contribuinte trabalha, em média, 157 dias por ano só para pagar tributos. No total, até dezembro deste ano, o trabalhador vai entregar ao governo, aproximadamente, 40% de tudo o que receber como pagamento pelo exercício do seu ofício." Santana destacou, apoiado em pesquisa do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), que só no primeiro semestre de 2008, "nós pagamos, na forma de tributos, R$ 197,8 milhões por hora, R$ 1,9 milhão por minuto, e R$ 30,7 mil por segundo".
"Diante dessa realidade, de elevada carga tributária, o que nós brasileiros deveríamos esperar era o retorno desses recursos pagos ao governo, em forma de serviços de qualidade nas áreas da educação, saúde, transporte e previdência. Ora, se temos uma carga tributária equivalente aos países de primeiro mundo, o correto seria que tivéssemos também serviços públicos de primeiro mundo", indagou.
Afora a necessidade premente da reforma, no que se refere à crise, especificamente, Santana ressalta para a limitação do crédito bancário que se avizinha com um efeito a preocupar a sociedade. Para ele, é "uma fantasia", não prever que o Brasil sofrerá os efeitos.

Crise deve acabar com folga nas finanças do País

Terra / Denise Campos de Toledo
06/10/2008

Independentemente do resultado das eleições, os novos prefeitos, assim como governadores e o governo federal terão de lidar com uma situação diferente do ponto de vista das finanças. A folga acabou.
O mundo deve passar por uma fase recessiva que terá implicações sobre a atividade econômica em diversos aspectos e, conseqüentemente, sobre o nível de atividade e de crescimento da economia.
Com crescimento mais modesto, a economia vai gerar menos impostos e o setor público terá menor disponibilidade de recursos. Projetos podem ter de ser adiados e promessas de cortes de tributos podem ficar na gaveta.
Será uma fase mais difícil, em que, além da atividade mais lenta, ainda haverá piora das condições de crédito. O governo pode ter, inclusive, de suprir carências nessa área. Como o governo federal já vem fazendo, ainda com poucas iniciativas, no que se refere à liquidez no sistema bancário e os financiamentos para a agricultura, empresas, exportadores.
Por outro lado, ainda restam dúvidas quanto aos efeitos da crise para projetos estruturais do País, como na área de transportes e exploração de petróleo.
Enfim, temos vários pontos de contágio da crise externa, o que vai exigir maior competência na gestão das finanças públicas e da própria política econômica. Será preciso driblar esses diversos pontos, o máximo possível, para que não haja comprometimento dos avanços obtidos nos últimos anos. Com recursos menos abundantes, os governantes terão de mostrar maior eficiência e serão mais exigidos.

Bush sanciona pacote de US$ 700 bi para setor financeiro

Valor Online
06/10/2008
O presidente dos EUA, George W. Bush, sancionou hoje mesmo a lei que prevê o uso de US$ 700 bilhões para a compra de títulos podres ligados a hipotecas que estão nas carteiras de bancos, seguradoras e fundos de pensão.
O projeto, que passou no Senado com 74 votos favoráveis, foi aprovado nesta tarde pelos deputados, por 263 votos a 171.
A proposta original do governo havia sido rejeitada pelos deputados na segunda-feira, derrubando as bolsas pelo mundo inteiro. No Senado, recebeu mudanças, as quais ajudaram na aprovação.
A principal novidade em relação ao pacote que foi rejeitado é o aumento na garantia para depósitos de correntistas dos bancos dos EUA de US$ 100 mil para US$ 250 mil entre a data da publicação da lei e o final de 2009.
O projeto prevê que a Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), entidade responsável por essas garantias, não terá limites para tomar recursos emprestados do Departamento do Tesouro para assegurar esses pagamentos. Atualmente esse limite, que nunca foi usado, é de US$ 30 bilhões. O pedido feito pela FDIC era para elevá-lo para US$ 100 bilhões, mas os senadores decidiram acabar com o teto da linha de crédito para dar maior segurança para os correntistas.
Vale ressaltar que, no fim do segundo trimestre, a FDIC tinha cerca de US$ 45 bilhões para garantir depósitos totais de US$ 4,5 trilhões.

Brasil é o quarto maior credor individual dos EUA

Agência Estado
06/10/2008
O Brasil já é o quarto maior credor individual dos Estados Unidos. Tem US$ 148,4 bilhões em títulos do Tesouro americano, de acordo com os dados mais recentes de Washington, de julho.
O País só perde para Japão (US$ 593,4 bilhões), China (US$ 518,7 bilhões) e Grã-Bretanha (US$ 290,8 bilhões) - os países exportadores de petróleo aparecem na frente do Brasil porque estão agrupados.
Em meio à crise nos Estados Unidos e diante da perspectiva de um grande aumento na dívida do país, a concentração das reservas brasileiras em títulos do Tesouro americano (Treasuries) desperta preocupação. Rússia e a Índia vêm reduzindo a exposição ao dólar.
Esses títulos ainda são o investimento mais seguro do mundo. Recentemente, em meio à turbulência, a remuneração de alguns desses papéis caiu para quase zero por causa do aumento na demanda por esses títulos - resultado de investidores fugindo de qualquer tipo de risco.
“Não vejo ninguém preocupado com um calote dos Estados Unidos”, diz Jon Huenemann, diretor de comércio exterior do escritório Miller Chevallier e ex-representante-assistente de comércio dos EUA. Mas, se a crise se aprofundar, a economia americana entrar em recessão e a dívida explodir, aí pode-se pensar em diversificação, diz o executivo.

Brazil's Inflation May Ease to Slowest in a Year: Week Ahead

By Joshua Goodman
Oct. 6 (Bloomberg) -- Brazil's monthly inflation probably eased to its slowest pace in a year in September, reducing pressure on policy makers to raise rates further.
The government's benchmark IPCA index, scheduled for release Oct. 8, rose 0.2 percent in September from a month ago, according to the median estimate of 14 economists surveyed by Bloomberg. Consumer price inflation has been steadily declining since a three-year high of 0.79 percent in May.
The report may be small relief to policy makers, who after raising interest rates four times since April to bring inflation back to target, must now confront signs that economic growth is being hurt by the global credit crisis. JPMorgan Chase & Co lowered its 2009 growth estimate for Latin America's largest economy to 3.2 percent from 3.8 percent on Sept 26.
``It's unfortunate that just when monetary policy is working its magic into the economy, the Brazilian consumer is beginning to suffer,'' Alvise Marino, an emerging-markets analyst at IDEAglobal in New York, said in a phone interview. ``The central bank is in a tough position.''
Brazilian economists expect policy makers to raise interest rates another 50 basis points, to 14.25 percent, when they meet Oct. 29, according to the latest central bank survey.
Policy makers led by Henrique Meirelles last month raised rates 75 basis points to 13.75, pushing real interest rates, accounting for inflation, to the highest of 54 countries tracked by Bloomberg. Annual inflation running at 6.17 percent has remained above the 4.5 percent midpoint of the government's target range since January.
Industrial output in August fell a seasonally adjusted 1.3 percent, its largest monthly drop this year and more than double the 0.6 percent median forecast in a Bloomberg survey of 20 economists. External funding for corporate loans dropped 2.6 percent in the first two weeks of September from a month earlier, Altamir Lopes, head of research at the central bank, said Sept. 26.
Markets
Last week, the real dropped the most in six years, sinking 9.8 percent to 2.04440 per dollar as a deepening global credit crisis curbed investment in Brazil. It was the steepest decline since September 2002. The real fell 1.1 percent on Oct. 3.
The yield on the government's zero-coupon bond due January 2010 fell 5 basis points 14.55 percent, according to Banco Votorantim SA.
The benchmark Bovespa stock index fell 3.5 percent to 44,517.32 points. Aracruz Celulose SA, the world's biggest pulp producer, led losses after saying it may lose about $1 billion from currency derivatives operations.
The following is list of events in Brazil this week:
Event Date Vehicle Sales, September 10/6 Trade Balance, Weekly 10/6 FGV Inflation IGP-DI 10/7 IBGE Inflation IPCA, September 10/8

Brazil real to stay at "realistic" level -official

Fri Oct 3, 2008 11:31am EDT
SAO PAULO, Oct 3 (Reuters) - Brazil's currency may not strengthen to previous levels because of ongoing global market turmoil, Finance Minister Guido Mantega said on Friday.
The real BRBY, which has plunged more than 20 percent since early August, is trading at a more realistic level now, Mantega said in a speech.
The currency had been trading at its strongest level since 1999 before the recent plunge, causing some exporters to demand government action to protect local products.
Mantega said the government is preparing new measures to help boost credit to exporters after trade finance dried up because of the global liquidity crunch.
(Reporting by Daniela Machado, Writing by Elzio Barreto, Editing by Chizu Nomiyama)

UPDATE 1-Brazil real unlikely to return to record highs-min

Fri Oct 3, 2008 12:51pm EDT
(Adds context, reserves and quotes)
SAO PAULO, Oct 3 (Reuters) - Brazil's currency may not strengthen to previous levels because of ongoing global market turmoil and the government may use international reserves to increase liquidity, the finance minister said on Friday.
"My impression is that the currency will not return to the levels of the (recent) past, it will keep at a more realistic level," Guido Mantega said in a speech in Sao Paulo.
The currency had been trading at its strongest level since 1999 before the recent plunge, causing some exporters to demand protection from the government.
Since early August, the real BRBY dropped more than 20 percent as uncertainty over the fate of the U.S. economy pushed investors out of riskier emerging market currencies into the U.S. dollar.
Mantega said the government is preparing new measures to help boost credit to exporters after trade finance tightened because of the global liquidity crunch.
Brazil also could tap its more than $200 billion of international reserves, Mantega said.
The central bank has offered dollar repurchase agreements to help ease a liquidity crunch in the foreign exchange market. It uses dollars from the reserves for these operations but they are returned in 30 days, Mantega said.
The government was also considering other "creative" ways of using the reserves to help liquidity, Mantega said, without providing further details. (Reporting by Daniela Machado; Writing by Ana Nicolaci da Costa; Editing by Theodore d'Afflisio)

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Jornal Economia em Notícia - Edição 40

Produção industrial recua em agosto

Gazeta Mercantil/1ª Página / Sabrina Lorenzi
03/10/2008
O efeito calendário contribuiu para que a produção da indústria caísse 1,3% em agosto (que teve dois dias a menos que o mês anterior), mas já se torna visível que a economia brasileira começou a colher taxas mais moderadas de crescimento. O ritmo chinês de algumas categorias da indústria no segundo semestre do ano passado torna a base de comparação elevada demais para grandes saltos daqui para frente.As fábricas mantiveram em agosto o nível de produção nas alturas, mas mesmo assim o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou aumento de apenas 2% em relação ao mesmo mês do ano passado.
Como elevar o crescimento sobre um salto de 10,5%? Foi este o percentual de aumento da produção industrial em outubro do ano passado. O ritmo asiático foi empurrado pela produção de bens de capital, que cresceu 27,8% naquele mês, conforme lembra a pesquisadora do IBGE Isabella Nunes. Os bens duráveis no mesmo período cresceram 18,2%. "A base de agosto a dezembro está muito elevada e vai ser difícil crescer muito. Mas o ritmo da indústria continua crescendo e o patamar de produção é alto", afirmou. O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, debitou a queda da produção em agosto à alta da Selic e à retração da demanda.

O Aumento da arrecadação federal

Jornal do Comércio – RS
03/10/2008
A arrecadação de tributos federais em agosto teve um aumento de 3,58%, em termos reais, em relação a agosto de 2007. Foi menor do que nos meses anteriores (em julho, pelo mesmo critério, foi de 12,85%). Assim, aparentemente, a receita estaria caindo; visão negada pelo próprio Fisco, que prevê alta real de cerca de 10% neste ano, com a arrecadação total, inclusive previdenciária, chegando a cerca de R$ 700 bilhões, ante R$ 642,6 bilhões no ano passado.
As receitas correntes, de R$ 52,5 bilhões em agosto e de R$ 443,5 bilhões nos primeiros oito meses (+9,49% sobre 2007), mostraram que o Fisco é hábil em repor o nível da receita tributária quando há mudança legal. Acabou a receita de R$ 24 bilhões da CPMF, obtida entre janeiro e agosto de 2007, mas ela foi substituída pela alta de 151,7% na receita do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), de R$ 5,3 bilhões para R$ 13,4 bilhões, e pelo aumento do crédito, assegurando mais consumo, emprego e lucros. Já foi largamente superada a projeção de receita do IOF de R$ 8,4 bilhões no ano.
Os lucros permitiram elevar o Imposto de Renda (IR) das empresas em 23,7% reais, no ano, e o peso na receita total passou de 12,07% para 13,53%. A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) aumentou 28,2%, mais R$ 5,8 bilhões.
Mais emprego formal e melhores salários contribuíram para a alta da receita do IR na fonte sobre os rendimentos do trabalho, de 18,8% reais (+R$ 5,3 bilhões).
Níveis recordes foram alcançados no IPI de automóveis, que aumentou 20,9% reais, e no Imposto de Importação (+26,3%).
Assim foi compensada a diminuição, desde maio, das receitas da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), incidente sobre combustíveis, da arrecadação do Refis e do Imposto sobre Ganhos de Capital. Com a queda das cotações das ações, o IR sobre ganhos em operações em bolsa diminuiu de R$ 856 milhões para R$ 680 milhões entre os primeiros oito meses de 2007 e 2008.
Ainda que o ritmo da atividade econômica seja menos intenso, em razão da crise externa, a arrecadação real só cairia em caso de recessão no País. Hoje, quando muito, se admite desaceleração do crescimento do PIB, de 5,1%, neste ano, para 3,6%, em 2009.
Os ganhos da arrecadação federal são de tal ordem que o governo adia a divulgação da carga tributária em relação ao PIB no ano passado, provavelmente superior à registrada em 2006.

Desaceleração econômica e inflação dividem o Copom

Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados / Ana Cristina Góes
03/10/2008

O Comitê de Política Monetária (Copom) estará em uma encruzilhada na próxima reunião, agendada para os dias 28 e 29 deste mês. De um lado está crise financeira norte-americana e a desaceleração da economia global batendo à porta, do outro a demanda interna ainda aquecida e o compromisso de manter o aperto monetário para convergir a taxa de inflação para o centro da meta no próximo ano. Se a forte queda no preço das commodities no mercado internacional alivia as pressões inflacionárias, a recente disparada na cotação do dólar na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) pode contaminar os preços. O economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, acredita que o Banco Central (BC) manterá o ritmo de aperto monetário mesmo com o cenário de desaceleração da economia. "A situação é difícil, todas as perspectivas apontam para o impacto da crise americana na economia doméstica. Mas os últimos indicadores mostram um descompassado entre oferta e demanda. O dólar é outro ponto que agrava a situação. Com esta volatilidade, ninguém sabe qual será o patamar de equilíbrio do câmbio", afirma Campos Neto. O estrategista-chefe do Crédit Agricole, Vladimir Caramaschi, concorda que o câmbio é um fator decisivo para o Copom optar por manter o aperto monetário, apesar do desaceleramento econômico global. "Acredito que o Copom eleve o juro em 0,5 ponto percentual por causa do câmbio. Até a semana passada poderia afirmar que a taxa de câmbio não seria problema. No entanto, diante desta recente disparada do dólar existe a chance de contaminação dos preços", avalia Caramaschi. Para o diretor presidente do Ibmec, Claudio Haddad, a possibilidade de a recessão norte-americana contaminar a economia doméstica é remota. "O Brasil está numa situação completamente diferente dos Estados Unidos", afirma Haddad, que acredita que ainda existe espaço para o Banco Central (BC) dar prosseguimento ao aperto monetário. "Na próxima reunião acredito que o Copom promova um aumento entre 0,25 e 0,50 ponto", estima. Na contramão, o ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Nicola Tingas, prevê que o Copom vai surpreender e interromper o ciclo de alta na taxa Selic, mantendo o juro básico em 13,75% ao ano. "Estamos vivendo uma crise de solvência. O temor aqui no Brasil é de que o enxugamento da liquidez tenha um efeito local. A oferta de crédito menor pode comprometer o crescimento da economia doméstica", disse. Crise financeira O ex-diretor do Banco Central (BC) e sócio da Ciano Investimentos, Ilan Goldfjan, afirma que a atual crise financeira é conseqüência de vários erros cometidos no passado. "É igual um acidente aéreo. É um conjunto de erros, não um só. Não dá para achar um só culpado nesta situação", afirmou. Para o ex-diretor do Banco Central, a situação atual da economia doméstica se assemelha a de um avião procurando uma pista longa para pousar. "Se quiserem que a economia brasileira mantenha o ritmo de crescimento de 6% ao ano não vai dar, me desculpe. No contexto atual, a economia doméstica vai acompanhar a tendência de desaceleração global", afirmou Ilan Goldfjan.

Chefe de negociações industriais quer retomar Doha ainda em 2008

Rodrigo Postigo
03/10/2008
O novo presidente do grupo de trabalho sobre acesso ao setor industrial (Nama, na sigla em inglês) da OMC, Luzius Wasescha, afirmou hoje que pretende redigir ainda este ano um novo texto de compromisso que permita desbloquear a Rodada de Doha para a liberalização do comércio.
Embaixador suíço na Organização Mundial do Comércio (OMC), Wasescha foi nomeado oficialmente presidente do grupo hoje, pelos 153 países-membros, no lugar do canadense Don Stephenson.
Em sua primeira entrevista após assumir o cargo, Wasescha disse que vai consultar imediatamente os membros do Nama. "Antes de começar a andar pela floresta, é preciso saber mais sobre as árvores que o formam", afirmou.
Até 20 de outubro, o suíço deverá manter uma série de consultas bilaterais para sondar os diferentes grupos. Ele afirmou que apenas depois disto pretende redigir o novo texto de compromisso.
O novo presidente do Nama assinalou que pretende apresentar seu novo texto simultaneamente ao do embaixador Crawford Falconer, que preside o grupo sobre agricultura.
Embora reconhecendo a existência de divergências entre os países- membros, Wasescha afirmou que há possibilidade de um acordo comum sobre direitos alfandegários na indústria e na agricultura ainda este ano, como já havia dito o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy.
A Rodada de Doha é negociada há sete anos sem que haja um acordo satisfatório para todas as partes.
A última tentativa fracassou em julho passado, quando não se chegou a um acordo, entre outros tópicos, sobre uma cláusula para que países em desenvolvimento pudesem proteger suas agriculturas de importações maciças.

Casa Branca diz que crise afetará economia também em 2009

EFE
03/10/2008
A crise financeira que causou turbulências nos mercados internacionais ainda afetará a economia americana no primeiro trimestre do próximo ano, reconheceu hoje a Casa Branca.

O porta-voz da Casa Branca, Tony Fratto, afirmou em sua coletiva de imprensa diária que "ninguém deve subestimar o que esta onda da crise creditícia" fez à economia este ano "e provavelmente fará no primeiro trimestre" de 2009.

"Nossa economia é resistente e é claro que nos recuperaremos, mas seguramente vai representar um peso", assegurou Fratto.

Fratto se declarou "bastante otimista" de que a Câmara vá aprovar a medida, mas disse que levará "semanas" até que o Departamento do Tesouro comece a comprar ativos de má qualidade de Wall Street.

"O Tesouro quer começar a se movimentar o mais rápido possível, mas é uma coisa complicada (...) acho que demorará pelo menos semanas", declarou o porta-voz.

Brazil real sinks to 2 per dollar, 1st time in yr

Thu Oct 2, 2008 11:14am EDT
SAO PAULO, Oct 2 (Reuters) - Brazil's currency weakened to the 2-per-dollar mark for the first time in more than one year as investors dumped emerging market assets and flocked to the U.S. dollar.
The real BRBY plunged almost 4 percent to 2 per dollar from 1.925 on Wednesday, a threshold it hasn't crossed since Aug. 29, 2007. The dollar reached a 13-month high against a basket of major currencies .DXY.
(Reporting by Elzio Barreto, Editing by Chizu Nomiyama)

After Financial Crisis, Uncertainty and Lectures From Abroad

The New York Times
By ALEXEI BARRIONUEVO and SIMON ROMERO
Published: October 2, 2008
SÃO PAULO, Brazil — As America’s financial crisis was gathering speed, Brazil’s president seemed dismissive, almost gleeful, about the troubles up north.
China, a strong client for South American commodities, including Brazilian soybeans, above, may offer some needed relief.
“What crisis?” said the president, Luiz Inácio Lula da Silva, when asked last month about the financial maelstrom. “Go ask Bush about that.”
Like a number of South American countries, Brazil had been flashing a newfound confidence, one born of a deliberate push to decrease political and economic reliance on the United States. But on Monday, shortly after Congress rejected a proposed $700 billion bailout package, Mr. da Silva struck a very different tone, saying in his weekly radio address that Brazil was not immune from the spreading woes after all.
“A recessionary crisis in a country like the United States,” he explained to Brazilians, “can bring problems to all countries.”
In only a few days, Latin American leaders have gone from schadenfreude to fear. Despite strong economic growth this decade and some aggressive efforts to break free of the American orbit, there is a growing nervousness that once again Latin America cannot escape the globalized connections in the financial sector that run through the United States.
After seeming to revel in the collapse of Lehman Brothers, Hugo Chávez, Venezuela’s president, skipped the opening of the United Nations General Assembly last week to visit China instead, saying that Beijing was now much more relevant than New York.
But by Tuesday, after the American stock market plunged nearly 778 points, dragging down Latin American exchanges with it, New York, and Wall Street in particular, had suddenly become relevant once more, with Mr. Chávez saying at a summit meeting in Brazil that the financial crisis would have the force of “one hundred hurricanes.”
A number of governments in the region have been working for the past decade to reduce their dependence on the American economy. They have diversified trade with the rest of the world, while also making efforts to save tens, and sometimes hundreds, of billions of dollars for times when international conditions turn sour.
As their economies strengthened and their political cooperation took off, it seemed the United States was being rapidly pushed out of the picture. Latin American leaders were standing up to America with growing bravado.
In the past month, both Venezuela and Bolivia expelled the American ambassadors to their countries. Not only did Brazil, thought to be among America’s strongest allies in the region, support the expulsion by Bolivia, a major source of natural gas, but Mr. da Silva also railed against an American naval presence in the region, warning that his nation needed to put its own warships on alert in response.
Such anti-American sentiment reflects a longstanding bitterness over Washington’s economic prescriptions for Latin America, policies that some countries in the region blame for undercutting them. As Wall Street itself started to unravel, some leaders seemed to feel vindicated by the collapse.
“We are witnessing the First World, which at one point had been painted as a mecca we should strive to reach, popping like a bubble,” Cristina Fernández de Kirchner, Argentina’s president, said two weeks ago.
But the financial crisis has exploded far beyond Wall Street. Whipsawing global markets are already having a ripple effect across Latin America. As nervous investors pulled money out of emerging markets, Brazil’s currency, the real, plunged 16 percent against the dollar last month, resulting in hundreds of millions of dollars in losses at large food and eucalyptus-pulp exporters that placed bad bets on the direction of the real.
In Mexico, falling remittances from the United States are also raising concern, with Finance Minister Augustín Carstens warning that money sent home from across the border could decline by $2.8 billion, or 8 percent, this year. In Venezuela, a sharp drop in the value of the country’s bonds in the last two weeks reflects fears about plunging oil prices, especially since the United States remains by far the largest buyer of Venezuelan oil despite the deterioration of relations between the countries.
The issue, economists say, is largely about access to credit, which is needed to keep Latin America’s export-oriented economies humming along. “The credit crunch and the liquidity constraints we are seeing are going to affect everyone in the world,” said Alfredo Coutiño, a senior economist at Moody’s, the credit-rating agency. “That means that the cost for Latin American companies, particularly for those with the need for external funds, is going to be higher.”
Plummeting commodity prices could also hamper growth in countries like Argentina and Ecuador, while the psychological effect of a crash in the United States is already reverberating through Latin American stock exchanges. That could lead to a reining in of household spending, which has driven much of the recent growth in Brazil’s economy, especially, economists said.
Some governments are also directly tied to the American institutions they have derided, as in Venezuela, where the government has lost about $300 million in Lehman-related investments.
Ricardo Sanguino, director of the finance committee in Venezuela’s National Assembly, said the losses were minor compared with the Central Bank’s reserves of more than $30 billion and previous decisions to shift some of those reserves into gold and out of American investment banks into Swiss banks.
“The crisis affects us because we’re not a completely closed economy, but the impact won’t be disastrous,” Mr. Sanguino said.
With increased fiscal discipline, some countries have built up stabilization funds that should help them weather the fallout from the Wall Street mess, economists said. Brazil’s government has directed its national development bank, the BNDES, to extend $2.5 billion in credit to agricultural exporters for the next harvest to try to prevent a major slowdown.
Other countries in the region may struggle more. Before the crisis, foreign investment had already dwindled in Bolivia and Ecuador, where governments flush with revenues before commodities prices began declining had nationalized foreign companies and clashed with multinationals.
Argentina, still weighed down by debt, saved much less than Brazil or Chile during its economic expansion. Now it faces declining commodity prices, especially for soybeans, its main export, and will have less flexibility to infuse cash into its industries, analysts said. In recent weeks, the Argentine government, realizing it may face a fiscal shortfall, has been focused on international investors to gain new funds, and has leaned on Venezuela to refinance billions of dollars in debts. But with oil prices plummeting, Venezuela may impose harsher conditions on lending to Argentina.
Even before the Wall Street meltdown, the region’s Achilles’ heel — high inflation — was rearing its head in several countries, notably in Venezuela, Bolivia and Argentina. Economists had been warning for months that Argentina could be headed toward a financial crisis of its own if it could not get rising inflation under control.
One silver lining for some countries could be China, which has become a strong export partner for South American soybeans, oil and other commodities. If China’s growth remains robust, the country will continue to lean on Brazil and Argentina for the crop. By traveling to China last month to sign a deal aimed at tripling oil exports to the country, Mr. Chávez may end up reducing his country’s dependence on the American market. “The world will never be the same after this crisis,” Mr. Chávez told reporters in Brazil. “A new world has to emerge, and it is a multipolar world. We are decoupling from the wagon of death.”
Other leaders, like Mr. da Silva, have gone from being dismissive of the crisis to outright incensed at Wall Street and Washington for it.
“We did what we were supposed to do to get our house in order,” an angry Mr. da Silva said Monday. “They spent years telling us what to do and they themselves didn’t do it.”

Venezuela, Argentina e Equador são mais vulneráveis à crise, diz 'Economist'

De acordo com a revista, dependência de commodities desses países é um problema.

BBC

03/10/2008

Um artigo na última edição da revista britânica The Economist diz que Venezuela, Argentina e Equador são os três países da América Latina mais vulneráveis a problemas decorrentes da atual crise econômica global.

O texto, intitulado Keeping their Fingers Crossed ("Mantendo os Dedos Cruzados", em tradução livre), alerta que o problema para esses países é que a crise está vindo acompanhada de uma diminuição no preço de commodities da qual dependem suas economias.

"Aqueles países que têm sido mais hostis ao capitalismo global parecem ser os mais expostos a suas mudanças de humor", diz o artigo.

"A Venezuela, que deixou de fabricar produtos que seus consumidores querem para importá-los pagando por eles com a renda do petróleo, parece estar particularmente vulnerável", continua a revista, se referindo à queda do preço do petróleo no mercado internacional.

"Cortar os gastos públicos é uma opção, mas não parece uma que ele (o presidente da Venezuela, Hugo Chávez) desejaria contemplar antes das eleições (estaduais e municipais) de novembro."

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Jornal Economia em Notícia - Edição 39