sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Valor das empresas na Bolsa encolhe R$ 1 trilhão

O Estado de São Paulo / Mônica Ciarelli
10/10/2008
Em quase cinco meses, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foi do paraíso ao inferno. Desde 20 de maio, quando o Ibovespa atingiu o pico histórico de 73.517 pontos, o valor de mercado das companhias encolheu mais de R$ 1 trilhão. Essa perda representa pouco menos da metade do Produto Interno Bruto (PIB) do País em 2007.
Diante da dimensão da crise financeira internacional, poucos economistas arriscam traçar um cenário para a Bovespa no curto prazo. "Nossa geração nunca experimentou ou deve experimentar outra crise dessa dimensão de novo", disse o ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e sócio da JB Partners, José Luiz Osório. Segundo ele, não há sinais de que o cenário de turbulências no mercado possa se dissipar no curto prazo.
"O preço das ações nesse momento de crise fica divorciado da realidade da companhia", comentou o ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio da Tendências Consultorias, Gustavo Loyola. Para ele, as chances de o PIB brasileiro crescer menos de 3% em 2009 cresceram muito nas últimas semanas, com a piora das turbulências no front externo. "Seria uma desaceleração muito forte. Este ano, o crescimento deve ficar na casa dos 5%", afirmou.
Para Loyola, o BC erra ao adotar intervenções em "conta-gotas" no câmbio. Ele lembra que a disparada do dólar afeta diretamente a inflação, o que deve obrigar o governo a manter os juros elevados. A conjunção desses fatores tende a resultar em lucros menores para as empresas.
Loyola recomenda uma intervenção mais pesada, que cause perdas ao investidor que apostar na alta do dólar. "Não podemos gastar os US$ 200 bilhões de reservas com intervenções em conta-gotas. As intervenções deveriam ser mais fortes."
O sócio responsável pelo Modal Asset Management, Alexandre Povoa, observou que a previsão de lucro para as companhias em 2009 mudou. Para ele, a grande dúvida é o nível de preço das commodities e como ficará o crédito. Povoa explica que a queda da bolsa nas últimas semanas reflete ainda a saída dos investidores neste momento de crise, especialmente dos estrangeiros.
Apesar do cenário sombrio, José Luiz Osório acredita que o investidor deve olhar com atenção para as ações de empresas que tem bons fundamentos e estão com preço deflacionado.

Tributos arrecadados superam os R$ 800 bilhões na próxima segunda-feira

O recorde ocorrerá apenas 1 mês depois da marca de R$ 700 bilhões; valor equivale a 2,105 bilhões de salários mínimos
InfoMoney
10/10/2008
A marca de mais de R$ 800 bilhões em tributos pagos pelos brasileiros deve ser superada na noite da próxima segunda-feira (13). O total corresponde à toda a receita recolhida pelos municípios, estados e União, desde o primeiro minuto de 2008.
O valor arrecadado pode ser consultado, em tempo real, no site www.impostometro.com.br. O portal indica os valores somados aos cofres públicos por mais de 60 tributos diretos ou indiretos.
A quantia anunciada será alcançada apenas 1 mês depois dos tributos arrecadados totalizarem R$ 700 bilhões. Além disso, a arrecadação está mais acelerada do que em 2007, já que, no ano passado, o valor foi superado no dia 24 de novembro, 42 dias mais tarde.

Mercosul e UE buscam acordo para minimizar crise

Terra / Laryssa Borges
20/10/2008

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defenderá na próxima semana, em reunião com o primeiro-ministro da Espanha, José Luiz Zapatero, a retomada das discussões em torno de um acordo de livre comércio entre Mercosul e União Européia, mecanismo que, segundo o governo brasileiro, pode representar a demonstração da capacidade de articulação dos países emergentes diante da crise financeira nos Estados Unidos e minimizar seus efeitos para nações em desenvolvimento.
O tema deverá ser novamente colocado em pauta por Lula em encontros com chefes de Estado da África do Sul e da Índia a partir de quarta-feira, quando participará da 3ª Cúpula do Ibas (Fórum de Diálogo Índia, Brasil e África do Sul). No início da noite desta quinta-feira, Lula já reunirá o ministro Guido Mantega (Fazenda) e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para dar orientações sobre a posição que o Brasil deve defender em Washington (EUA) durante as reuniões do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do G-20 financeiro.
"O presidente considera importante ter em conta que a natureza global da crise nos mostrou que é necessário ter uma supervisão de instituições internacionais (com o objetivo de) dar sentido claro de direção aos agentes econômicos", anunciou o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach.
"A conclusão de acordos desse tipo (Mercosul-UE) sempre é benéfica, principalmente em momentos de crise", completou o porta-voz.
Mais uma vez o presidente Lula deve observar que o destravamento da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) e a conseqüente retomada das discussões pela liberalização do comércio agrícola mundial também seriam um "alento" para as nações impactadas pela crise.
"A idéia do presidente é que a queda de barreiras no comércio internacional é sempre benéfica para melhorar os fluxos (de comércio). Nesse momento sensível, todas essas negociações têm uma grande importância porque podem evitar que os prejuízos da crise sejam ainda maiores", explicou Baumbach, enfatizando que o governo brasileiro defenderá a adoção de "respostas coordenadas" e de um mecanismo de "supervisão" feito por entidades internacionais.
Ele não soube detalhar, no entanto, de que maneira seria possível viabilizar esse "esforço conjunto e cooperativo" dos países.

Eurocâmara exige nova regulação do mercado ainda em 2008

EFE
10/10/2008
O plenário do Parlamento Europeu exigiu hoje que a Comissão Européia (CE, órgão executivo da União Européia) apresente propostas para reforçar a supervisão e a estabilidade dos mercados financeiros ainda este ano.
Os eurodeputados aprovaram com 565 votos a favor, 74 contra e 18 abstenções a um relatório que vinha sendo preparado há meses e cuja aprovação final acontece em meio à crise.
De fato, algumas das medidas solicitadas pelo Parlamento Europeu já foram anunciadas nos últimos dias pela CE, como a revisão dos requisitos de capital exigidos dos bancos e a criação de um "grupo de sábios" para abordar o futuro da supervisão financeira na União Européia (UE).
"A CE começou de repente a ser muito ativa neste âmbito", destacou hoje uma das conferentes do relatório, a socialista holandesa Ieke van den Burg, que lembrou, no entanto, que há "anos" a Eurocâmara vem pedindo mudanças na regulação e na supervisão do mundo das finanças.
Na mesma linha, o outro responsável pelo texto, o liberal romeno Daniel Daianu, afirmou que "a atual crise valida todas as preocupações que o Parlamento Europeu expressou durante anos sobre a arquitetura de supervisão financeira na UE".
"Estamos pagando pela desregulação dos últimos tempos", acrescentou.
O relatório de iniciativa, aprovado hoje com maioria absoluta, força à CE a fazer projetos de lei alinhados com o exigido pelos eurodeputados ou, caso contrário, a dar explicações sobre porque não considera pertinente fazê-los.
Na realidade, a CE já trabalha em várias das propostas solicitadas pelos parlamentares, que em sua maioria criticaram o fato de o comissário do Mercado Interno europeu, Charlie McCreevy, só ter decidido agir quando a crise financeira já havia afetado seriamente a economia

Crescimento sustentável é 'chave real' para AL, diz FT

BBC Brasil
10/10/2008
Um crescimento sustentável é a "chave real" para que os países latino-americanos garantam estabilidade ao longo prazo e evitem ser atingidos por choques como a atual crise financeira global, segundo uma reportagem publicada nesta sexta-feira pelo jornal Financial Times.
Citando o economista-chefe para a América Latina e Caribe do Banco Mundial, Augusto de la Torre, e outros economistas, o jornal afirma que medidas ortodoxas têm ajudado alguns países da região a "se integrar de maneira mais segura aos mercados financeiros globais", mas que a estabilidade a longo prazo depende do crescimento sustentável.
De acordo com o FT, no entanto, vários países da região ainda não implementaram "as reformas estruturais que precisam ser feitas para que isso aconteça, especialmente o corte de gastos extravagantes como a folha de pagamento do setor público."
O Financial Times afirma que, para muitos países, há um fundo de verdade na afirmação de que a região está mais imune ao que acontece nos países desenvolvidos e a crises do tipo enfrentado pela Rússia e países asiáticos no fim dos anos 90.

Viracopos e Galeão serão privatizados

Gazeta Mercantil/Caderno C
10/10/2008

Resolução do Conselho Nacional de Desestatização (CND) publicada ontem no Diário Oficial da União (DOU) dá mais um passo no processo de privatização dos aeroportos internacionais Antonio Carlos Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro, e Viracopos, em Campinas (SP). Assinada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Miguel Jorge, a resolução recomenda ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que autorize a inclusão dos dois aeroportos no Programa Nacional de Desestatização (PND).
O conselho também propõe que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) seja designada a responsável por executar e acompanhar a privatização dos equipamentos atualmente administrados pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero).
A privatização do Tom Jobim foi sugerida pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), em agosto deste ano. Um mês antes, ele já havia defendido que a gestão do aeroporto fosse transferida para o governo estadual.
Cabral alega que o atual estado de conservação do equipamento pode comprometer a candidatura da cidade às Olimpíadas de 2016. Segundo ele, seria necessário investir mais de R$ 500 milhões para adequar o aeroporto às exigências do Comitê Olímpico.
Já em Viracopos, segundo maior terminal de cargas do país, o governo vem investindo pesado para, conforme disse o ministro da Defesa, Nelson Jobim, tornar o equipamento "o grande aeroporto de São Paulo". Em fevereiro, a Infraero assinou com a prefeitura de Campinas um termo de cooperação mútua para desapropriar áreas no entorno do aeroporto. No local deve ser construída uma segunda pista de pouso e decolagem. O custo inicial da obra é de cerca de R$ 500 milhões.
Segundo a Infraero, as importações realizadas por Viracopos registraram movimentação histórica no mês de agosto. Foram 15.079 toneladas importadas pelo terminal, maior marca desde a inauguração do aeroporto. O crescimento foi de 23,33% em relação ao mês de agosto de 2007, quando o movimento foi de 12.226 toneladas de produtos.

Brazil reiterates no change to oil contracts

Fri Oct 10, 2008 6:25am EDT
LISBON, Oct 10 (Reuters) - Brazil will not alter existing contracts with foreign and local oil producers that have discovered huge reserves in the subsalt cluster deep under the ocean floor, Energy Minister Edison Lobao reiterated on Friday.
Speaking at a Portuguese-Brazilian business meeting in Lisbon, Lobao also hailed the presence of Portugal's Galp Energia (GALP.LS: Quote, Profile, Research, Stock Buzz) in several Santos basin blocks, calling it an important partner of Brazil's state-run oil giant Petrobras (PETR4.SA: Quote, Profile, Research, Stock Buzz)(PBR.N: Quote, Profile, Research, Stock Buzz).
"Brazil will respect all the contracts. The sanctity of the contracts will never be broken," Lobao said.
Galp has a 10 percent stake in the Tupi discovery, where Petrobras estimated recoverable reserves at up to 8 billion barrels, and in a number of other important projects like Jupiter and Iara.
Other partners in these and other subsalt blocks include Britain's BG Group (BG.L: Quote, Profile, Research, Stock Buzz), Spain's Repsol (REP.MC: Quote, Profile, Research, Stock Buzz) and ExxonMobil (XOM.N: Quote, Profile, Research, Stock Buzz) of the United States.
After the Tupi reserve announcement last November, Brazil started mulling changes to its oil law and other rules for oil exploration and production, eyeing more taxes and royalties, as well as changing the way it offers new concessions to leave high-potential blocks in state hands.
But it has repeatedly said any changes would apply only to future contracts.
Also on Friday, Galp and Petrobras signed a draft deal to set up a joint venture to produce 500,000 tonnes a year of biodiesel, with half of that amount to be produced in Portugal for distribution in Europe. The partners were yet to confirm the commercial viability of the project. (Reporting by Elisabete Tavares and Andrei Khalip; editing by James Jukwey)

Brazil Poised to Become Oil Superpower

By THE ASSOCIATED PRESS
Published: October 9, 2008
Filed at 7:35 p.m. ET
RIO DE JANEIRO, Brazil -- Four miles under the ocean's surface off Brazil's lush coast lie billions of barrels of recently discovered light crude -- a treasure that could transform the country into an oil superpower.
President Luiz Inacio Lula da Silva called it ''a gift from God'' and pledged to end chronic poverty and narrow the country's broad gap between the rich and the poor.
But before rhetoric becomes reality, Brazil must first get to the underwater reserves, among the world's deepest, and then manage a massive influx of wealth -- a formidable task that has left other national economies awash in corruption and even greater gaps between the rich and poor.
Jockeying for a cut of the proceeds has already begun.
Military officials are calling for increased military spending, stressing the need for a nuclear submarine program and new fighter jet fleet to protect the oil from rivals.
The nine fields discovered in the last year are thought to hold 50 billion to 80 billion barrels of light crude -- more than four times Brazil's current proven reserves. With the find, Brazil could supply all of its own needs for nearly a century or become one of the world's top oil exporters.
Even getting to that point will test the state-run oil company Petroleo Brasileiro SA, which has decades of experience in deep-water drilling.
The oil fields will be the most complicated and costly it has ever developed. Analysts say the project will require at least a $600 billion investment over 30 years.
The deep-water reservoirs lie some 185 miles offshore in the Atlantic, more than a mile below the ocean's surface and under another 2.5 miles of earth and corrosive salt. The salt beds can break loose and shear off piping, making it one of the toughest substances to drill.
Given those conditions, rough ocean currents and floating rigs, the technology required to tap Brazil's so-called ''pre-salt'' oil is on par with that needed to land a man on the moon, said Eric Smith a drilling expert at the Entergy-Tulane Energy Institute at Tulane University in New Orleans.
''If you were doing this with a drill from atop the Empire State building, about 1,000 feet up, you'd be trying to hit a target on 34th Street the size of a quarter,'' said Smith.
''Then you've got to go down an equivalent distance to reach the oil, and it might not be on 34th Street, it might be on 42nd Street,'' he said.
Petrobras will use seismic imaging to map the reserves, but even that will not provide a clear view under the salt, which blurs images, said Judson Jacobs, director of upstream technology at Cambridge Energy Research Associates in Cambridge, Massachusetts.
Drilled wells must also withstand crushing pressure of extreme depths, Jacobs said.
But there are logistical problems beyond engineering.
The recent record prices for oil have led to global shortages of drilling equipment just when Brazil needs it most. The country will have to rent 138 drilling platforms -- or build them for as much as $1.7 billion each -- and find at least 200 ships to transport oil and gas over the next 30 years, a mid-September study by Brazil's national development bank found.
The financial spillover could begin with Brazil's dormant shipping industry and create tens of thousands of jobs, Silva has said.
Silva appointed a cabinet-level committee to draft plans for restructuring the oil industry to accommodate rapid growth. That committee is expected to recommend a new state-owned oil company negotiate contracts for the pre-salt finds.
Still, some consider that a return to nationalism -- and an unfair rebuff of Petrobras shareholders, whose capital largely financed the most recent discoveries and who expect returns.
Petrobras will have to work with private partners, more likely through production-sharing deals than the current concession contracts it now favors, said Christopher Garman, head of Latin America research for the New York-based Eurasia Group consulting firm.
Garman called fears of nationalism that once dominated Brazil's energy industry a bit ''overblown.'' Laws passed in 1997 broke the government's monopoly over Petrobras, allowing foreign investors to buy stakes in 60 percent of the company. About a million Brazilian citizens hold shares, too.
Brazilian officials insist any new oil company would not actually drill, but negotiate production-sharing agreements between Petrobras and private partners, which already include Royal Dutch Shell, BG Group Plc, and a division of Galp Energia, Portugal's biggest energy company. Petrobras, the dominant player in Brazil's energy sector, would retain its leadership position.
If oil hovers around $100 a barrel, the pre-salt fields would yield at least $5 trillion, doubling the oil sector's share of Brazil's economy to 20 percent, according to Garman. It would also triple currency reserves to $600 billion, the president of Brazil's central bank said.
Taxes and royalties from Petrobras were $34 billion, or about 4 percent of government income in 2007.
How the money is spent will have very serious ramifications.
A deluge of oil money has fueled labor abuses and economic imbalances that hit the poor hardest in many nations, such as Nigeria. It has also triggered rapid inflation and even overvalued local currencies, like the Netherlands saw in the 1960s. In those and other cases, the result was slashed exports and unemployment.
Silva has suggested Brazil might invest a good portion of its oil revenue, as Norway has done, rather than pump it into the economy. Treasury officials in May unveiled plans to funnel pre-salt income into a sovereign investment fund, which could ultimately hold between $10 billion and $20 billion.
But with 57 million Brazilians living in poverty, the government may spend much of its oil money to help the poor and boost education -- though no new programs have been outlined.
During a visit to an offshore oil platform, Silva promised that oil income would be ''a direct bridge between nature's riches and the eradication of poverty.''
''We will transform a perishable wealth, like oil and gas, into a source of permanent wealth for the Brazilian people,'' he said, clad in a Petrobras hardhat after dipping his fingers into some of the first crude pumped from the pre-salt area last month.
''God has given Brazil one more chance,'' he said.

Jornal Economia em Notícia - Edição 45

Jornal Economia em Notícia - Edição 44

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Mudanças nas regras contábeis chegam primeiro ao setor financeiro

DCI
09/10/2008
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou mudanças contábeis para as instituições financeiras. A norma faz parte do processo de convergência das nossas normas contábeis às regras internacionais, os IFRS. As mudanças, que começam a valer a partir de janeiro de 2009, fazem parte da Lei 11.638 que foi aprovada em dezembro de 2007 e prevê padrão para a contabilidade.
De acordo com Pierre Moreau, do escritório Moreau Advogados, especialista em aquisições, "os bancos poderão ser comparados entre si. O impacto principal será em quem concede crédito. Outra mudança é que a norma cria maior transparência do sistema e permite comparar itens como ativos imobilizados e diferidos, como equivalência patrimonial das empresas e nas operações de fusão e cisão. A lei restringiu o que pode ser diferido".
ESPECIFICAÇÕES
Uma das especificações que mudou para os bancos foi que a partir de 2009, as empresas coligadas terão de reconhecer os ativos no balanço. Um exemplo seria o grupo Itaú, com várias empresas coligadas. A empresa que tiver 20% do capital votante ou tiver influencia na administração, tem que ser reconhecido pela empresa controladora na montagem do balanço. Outra mudança é o registro de ativos e passivos, que antes era pelo valor histórico e hoje tem que ser contabilizada como valor de mercado.
As medidas valem para o ano que vem, mas algumas empresas fazem o balanço de partida neste ano, com ano-base 2008. de acordo com o professor da USP Eliseu Martins, "a Lei 11.638/07 faz a desvinculação das demonstrações financeiras das tributárias e agora a contabilidade passa a ter fins mercantis e fins contábeis, o que exige uma mudança de comportamento e de postura". Para o advogado Moreau, a contabilidade passou de regras obsoletas para um novo marco regulatório.

Mercado móvel crescerá menos em 2009

Reuters
09/10/2008
O mercado global de celulares vai crescer menos do que o esperado no próximo ano, porque os consumidores tendem a cortar gastos com dispositivos eletrônicos devido à instabilidade econômica, concluíram analistas.
Enquanto executivos da indústria afirmam que os celulares são o último serviço deixado de lado pelos consumidores para economizar dinheiro, analistas estão alertando para ciclos de reposição mais lentos e enfraquecimento de economias do mundo todo, que resultarão em vendas mais modestas em relação às previsões anteriores.
O analista da UBS, Maynard Um, reduziu sua expectativa de crescimento das vendas de handsets em 2009 de 6% para 3%, citando especificamente a desaceleração dos mercados norte-americano e europeu.
Segundo Um, a OBS alterou sua previsão de aumento global das vendas de produtos domésticos em 2009 de 2,8% para 2,2%, por causa da nova expectativa para o mercado de handsets.
Ehud Gelblum, analista do JPMorgan, foi mais otimista, mas mesmo assim reduziu sua previsão para o crescimento do mercado de handsets em 2009 de 8,1% para 6,1%.
De acordo com Gelblum, os consumidores estarão mais relutantes para trocar os celulares e até a China – um dos mercados móveis que crescem mais rápido – terá um aumento das vendas moderado.
No mês passado, a Nokia, principal fabricante de handsets, avisou que o mercado móvel seria prejudicado pela frágil confiança dos consumidores na economia e que ela mesma poderia registrar menor participação no quatro trimestre.

Brasil deve sair 'relativamente ileso' de crise, afirma FT

BBC Brasil
09/10/2008
Apesar de uma semana marcada pela desvalorização do real em relação ao dólar e por quedas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), "muitos economistas ainda acreditam que o Brasil vá sair relativamente ileso da crise financeira global", segundo o Financial Times.
O site do jornal traz, nesta quinta-feira, uma reportagem sobre os leilões realizados pelo Banco Central (BC) na quarta-feira para conter a desvalorização do real em meio ao que o Financial Times chama de "a onda mais forte de venda provocada por pânico em décadas" no Brasil.
Segundo o jornal, até esta semana, grande parte da queda nos ativos brasileiros vinha sendo causada pela retirada de dinheiro do Brasil por investidores estrangeiros tentando cobrir perdas em outros mercados, mas, nos últimos dias, os investidores locais também se juntaram ao "êxodo".
O Financial Times diz, no entanto, que os bancos brasileiros não estão tão vulneráveis quanto os americanos ou europeus.
"O setor bancário (do Brasil) passou por uma reestruturação promovida pelo governo nos anos 1990 e têm pouco da exposição a ativos de risco afetando os bancos americanos e europeus", diz o Financial Times, acrescentando que apenas cerca de 10% do crédito bancário no país é levantado fora do Brasil.

BC libera R$ 23 bilhões em meio a crise econômica

Agência Estado
09/10/2008
O Banco Central anunciou nesta quarta-feira, 8, a flexibilização do recolhimento de depósitos compulsórios, o que deve promover uma injeção de recursos no mercado de R$ 23,2 bilhões. Depósito compulsório é a parcela de recursos que os bancos recolhem diariamente ao BC. Em situações de crédito escasso, como o atual, o BC reduz esta parcela, o que aumenta o dinheiro disponível para que os bancos emprestem.
A primeira medida aumenta de R$ 300 milhões para R$ 700 milhões a dedução prevista para o recolhimento compulsório de depósitos a prazo feito por meio de títulos públicos (aplicações). A medida injeta a partir do dia 13 de outubro R$ 6,3 bilhões na economia.
A segunda medida reduz de 8% para 5% o recolhimento adicional de compulsórios sobre os depósitos à vista e a prazo feitos em espécie remunerados pela taxa básica de juros (Selic). A medida vai injetar a partir do dia 10 R$ 16,9 bilhões. O objetivo, segundo o Banco Central, é prover liquidez ao sistema financeiro. O BC informa ainda que não foi alterado o recolhimento compulsório adicional da poupança, que continua em 10%.
No dia 1º de outubro, o BC havia decidido que os bancos que adquirissem carteiras de crédito de outras instituições teriam redução do depósito compulsório. A medida libera até R$ 23,5 bilhões para o mercado. O economista-chefe da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, informou nesta quarta, à Agência Estado que as informações que a entidade dispõe são de que os bancos privados já estão adquirindo carteiras de crédito de outros bancos para ter parte do compulsório liberado.

Argentina pede reunião urgente do Mercosul sobre crise

EFE
09/10/2008
O chanceler argentino, Jorge Taiana, começou a trabalhar hoje para que se convoque "urgentemente" uma reunião do Mercosul para analisar a crise financeira global e coordenar posições, informaram hoje à Agência Efe fontes oficiais.
"Taiana iniciou gestões solicitando que se convoque o mais rápido possível uma reunião extraordinária do Conselho do Mercado Comum (CMC) do Mercosul", informaram fontes da Chancelaria argentina.
O CMC é integrado pelos chanceleres e ministros da Economia do bloco integrado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai e que tem a Venezuela em processo de adesão.
"O objetivo é que os ministros analisem o impacto da crise global e coordenem posições comuns", assinalaram as fontes.
O Mercosul, que tem o Brasil exercendo a Presidência temporária, terá sua cúpula semestral em dezembro, e por isso Taiana procura convocar uma reunião ministerial "urgentemente" para fazer frente ao temor econômico internacional.

Apenas combinação de boas notícias pode trazer alívio

Invertia / Denise Campos de Toledo
09/10/2008

Ninguém pode reclamar que os governos e bancos centrais não estejam agindo - e agora de forma coordenada. São pacotes de socorro financeiro, injeções maciças de recursos, a redução conjunta dos juros. Até o Banco Central aqui voltou a vender dólares, após vários anos agindo no sentido inverso, com a compra constante da moeda. E a mudança de postura do governo brasileiro, que antes falava em "marolas" da crise, foi além. O ministro Guido Mantega, da Fazenda, convocou o G20 para uma reunião.
Mas, apesar de ter recebido bem as novas iniciativas, o mercado continua como uma gangorra em meio à forte crise de confiança, que só piora a situação econômica: o dinheiro não flui, o crédito continua travado. Até no Brasil já se percebe mais restrições na concessão de recursos por cautela - temor do impacto da crise sobre a atividade em geral e a demanda.
Empresas, projetos, consumidores, o comércio já enfrentam mais dificuldades para conseguir dinheiro. Os bancos querem maiores garantias. No exterior, a situação é bem mais grave, porque é lá que está o olho do furacão.
Em determinados momentos, o movimento do mercado lá fora beira a um colapso financeiro. O corte dos juros tinha como objetivo melhorar a confiança, mais do que estimular as economias. Mas a encrenca é muito grande. Se fala em perdas de cerca de US$ 1 trilhão. Só uma combinação de notícias melhores é que pode trazer alívio mesmo, pelo menos, do lado da confiança, porque a crise econômica, certamente, vai se arrastar por um bom tempo. E tende a se aprofundar.

IFRS 'clock is ticking', warns Herz

Regulator warns credit crisis could delay US' embrace of IFRS
Written by David Jetuah
Accountancy Age, 09 Oct 2008
Bob Herz, the head of the US Financial Accounting Standards Board, has warned that IFRS could be delayed by the problems in financial markets.
‘The clock is ticking,’ Herz told delegates at PwC’s Meet The Experts summit this week.
Last month, the SEC announced that it was fine-tuning an IFRS roadmap before rolling it out to US companies for comment, but the moves have been affected by the global crisis in the financial markets.
‘Events in the credit markets have probably led to delays in publishing of the roadmap for consultation. It may be for the next administration to deal with,’ Herz said.
Herz countered suggestions that the economic crisis had damaged the prospects for IFRS in the US: ‘I would personally hope that it reinforces the idea that global problems need global solutions.’
Even though efforts are being made to get IFRS adoption under way proper, Herz added that the SEC dropping its requirement for foreign issuers to reconcile their accounts to US GAAP had been unexpected.
‘It came to the surprise of some,’ said Herz. ‘They did it a little bit earlier than they might have.’

Trade finance booms amid global crisis

Thu Oct 9, 2008 6:16am EDT
By Jonathan Lynn
GENEVA (Reuters) - Business is booming in the trade finance market as exporters and importers return to a tried and tested form of credit amid the chaos of the financial crisis, bankers in the sector say.
Demand for trade finance -- a traditional form of banking dating back to the Middle Ages -- is so strong that some houses say they are turning away business for lack of capacity.
But if volumes are up, so is the price, with deals currently offered at 300 basis points over interbank refinancing rates, three times or more the going rate a year ago.
And that is now making it hard for developing countries to finance their exports, with Brazil sounding the alarm. Some bankers also fear the high prices could eventually see new business dry up.
"This has been a phenomenal year for trade finance," said John MacNamara, Managing Director, Structured Commodity Trade Finance, for Deutsche Bank in Amsterdam.
"They've been going on apace, if anything with far better quality counterparties, if only because they couldn't go to other sources," he told Reuters.
For instance in 2007 Deutsche acted as agent on $2 billion of pre-export finance and borrowing base deals. So far this year the figure is $16 billion.
And some of those deals are very big. Deutsche has recently been involved in several over $1 billion, including three with large Russian corporate in the metals and oil sectors that were bigger than $3 billion.
SIMPLE AND TRANSPARENT
Trade finance is the easiest, cheapest and most collateralized form of credit, industry experts say.
In recent years customers were lured away by investment banks and corporate finance departments offering sophisticated products, but now they are flooding back attracted by the simplicity and transparency of trade finance.
International trade amounts to about $14 trillion, World Trade Organization figures show, and 90 percent of these transactions involve credit.
Trade finance takes various forms. An importer's bank can issue a letter of credit to an exporter, which it pays when it receives documents confirming the goods have been shipped.
In another variant an exporter sells its receivables -- or future payments from an importer -- at a discount to a trade house known as a forfaiter.
There is also a secondary market in trade finance instruments but activity there is subdued in the general nervousness around the crisis, bankers say.
Around 60 percent of trade finance is handled by private lenders, ranging from niche boutiques to major banks. These are typically short-term transactions of less than a year, but increasingly these players are lending for five years or more.
Export credit agencies, who concentrate on this longer-term business and are often state-run, handle about 30 percent, and the rest is handled by regional development banks.
"In difficult times, trade finance shows itself to be a tried and tested method of financing," said Kimberly Wiehl, secretary-general of the Berne Union, which groups state and private-sector export credit and investment insurance agencies.
"The trend has been a steady increase in demand, not a huge increase given all the turmoil in September," she told Reuters.
Short-term commitments by Berne Union members rose to $1.02 trillion at the end of June from $901.8 billion at the end of December and $787.9 billion in June 2007, she said.
But against that 29 percent rise over the year, claims for deals that defaulted totaled only $530 million in the first half of this year against $1.0 billion in all of 2007, typical for this stage of the export credit cycle.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Jornal Economia em Notícia - Edição 43

Perspectiva econômica dos EUA piorou, diz Bernanke

Presidente do Fed sinalizou possível corte nos juros. 'Atividade econômica deverá ser débil até o fim do ano e mais além', disse.
G1
08/10/2008
O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Ben Bernanke, sinalizou nesta terça-feira estar pronto para cortar a taxa básica de juro norte-americana, uma mudança dramática de posição para dar suporte à economia, afetada por uma crise financeira de "dimensões históricas".
"Os riscos que pesam sobre o crescimento aumentaram", declarou Bernanke em discurso pronunciado para economistas de empresa da National Association for Business Economics, reunidos em Washington. "A combinação dos indicadores que têm saído com os acontecimentos financeiros recentes sugere que a perspectiva para o crescimento econômico piorou e que o risco de baixa no crescimento cresceram".
"A atividade econômica deverá ser débil até o final do ano e mais além", advertiu. Por outra parte, as perspectivas sobre a inflação se mantêm muito incertas, em parte por causa da extraordinária instabilidade dos preços das matérias-primas", declarou Bernanke.
"À luz destas evoluções, o Federal Reserve deve examinar se sua política atual continua sendo apropriada", acrescentou.