segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Jornal Economia em Notícia - Edição 50

Paises do Mercosul estão bem preparados para enfrentar crise, diz presidente do BID

EFE
20/10/2008
O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, afirmou que as economias de Brasil, Argentina e dos outros membros do Mercosul estão bem preparadas para enfrentarem a crise financeira mundial.
A economia brasileira "está muito sólida" e teve um "êxito impressionante nos últimos anos, além da sorte de ter encontrado muito petróleo", declarou Moreno.
"O Brasil tem uma produção diversificada e desenvolveu uma indústria de alto valor tecnológico", afirmou o presidente do BID.
"Já a Argentina tem uma situação diferente, mas é positivo que tenha normalizado sua situação com o Clube de Paris. Não vejo risco latente em curto prazo", afirmou.
Moreno, que visitou Montevidéu para participar da VIII reunião anual do BID e da sociedade civil, também disse que após a crise os países emergentes "terão uma cadeira na discussão mundial", publica o jornal uruguaio "El Observador".
"A América Latina está em uma situação muito diferente dos tempos em que tinha déficit em conta corrente, pois agora há superávit", declarou.
Moreno afirmou que em quatro anos "triplicaram os níveis de reserva" na região "até um pouco mais de US$ 460 bilhões".
"A região tem uma situação macroeconômica muito estável", acrescentou.
Segundo Moreno, "esta é uma região muito diferente e muito melhor preparada para atenuar esta crise que antes".
Ele previu que uma das conseqüências da crise será o surgimento de "mais ventos protecionistas em todas as partes, começando pelos EUA", o que, na sua opinião, "não é bom".
O presidente do BID disse que após a crise "vai mudar a unipolaridade que existia no Mundo".
Daqui para frente "os países emergentes, que representam um pouco mais de 45% da economia mundial, vão ter uma cadeira na discussão mundial, sem dúvida no aspecto econômico, e conseqüentemente no político", declarou.

Opep deve reduzir produção para conter preço

Agência Estado / Hélio Barboza
20/10/2008
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) deve reduzir a produção a fim de estancar a queda de preços, disse o ministro do petróleo do Irã, Gholam Hossein Nozari, segundo a agência estatal de notícias Irna. "A única forma de parar a queda é diminuir a produção da Opep", declarou o ministro.
Nozari acrescentou que o declínio dos preços é resultados da crise econômica global e da redução da demanda por petróleo. Ele declarou ainda que a Opep deve atingir um equilíbrio entre oferta e demanda e ajudar a estabilizar e aumentar os preços do petróleo no mercado mundial. As informações são da Dow Jones.

MPs poderão deixar de ser usadas para criar impostos

Agência Câmara
20/10/2008
O relator da Comissão Especial da Reforma Tributária (PECs 233/08, 31/07 e outras), deputado Sandro Mabel (PR-GO), deverá incluir no texto novidades como a criação do Código de Defesa do Contribuinte; o fim das medidas provisórias para a criação ou aumento de tributos; e a ampliação do princípio da anterioridade dos atuais 90 dias para 180 dias. De acordo com esse princípio, o imposto não pode ser cobrado antes de um determinado tempo a partir da sua criação.
Segundo explicou o deputado nesta quarta-feira (15), a definição de como será a parte do seu relatório que trata desses três pontos ainda depende de discussões com o DEM e o PSDB, que sugeriram as mudanças. Outra novidade poderá ser o princípio do poluidor pagador - ou seja, a divisão de receitas tributárias poderá levar em conta a proteção ambiental.
Mabel anunciou que vai apresentar seu parecer final na próxima terça (21). Ele quer garantir a votação da matéria no Plenário da Câmara em seguida, pois teme o surgimento de pressões para mudar pontos de seu relatório, já que o consenso em torno do assunto é difícil.

Grandes economias já vivem recessão técnica

Turbulência 'enxugou' recursos para financiamento do crescimento.
Banco Central francês já admitiu que país vive recessão técnica.
G1
20/10/2008
Passado um mês da quebra do banco norte-americano Lehman Brothers, que foi o estopim da fase mais grave da crise financeira internacional, o mundo se volta aos efeitos mais duradouros do problema: a possibilidade, cada vez mais real, de que grandes economias venham a entrar em recessão.
Com os grandes bancos registrando prejuízos decorrentes dos "créditos podres" do mercado imobiliário norte-americano, os recursos secaram. As instituições desconfiam da capacidade de pagamento umas das outras e quem tem dinheiro não se arrisca a emprestá-lo. Sem recursos para financiar seu crescimento, as empresas reduzem o ritmo, servindo de freio à economia.
De acordo com a maioria dos economistas, um país entra em recessão quando seu Produto Interno Bruto (PIB, a soma das riquezas do país) recua por dois trimestres consecutivos. Por essa definição, Alemanha, Itália, Japão, Irlanda, Suécia estão "a um passo" de entrar em recessão.
Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), as economias desses países se retraíram no segundo trimestre deste ano. Com o agravamento da crise financeira nos últimos meses, os dados do terceiro trimestre, que devem ser divulgados nas próximas semanas, não devem mostrar resultados animadores.
Recessão técnica
Na França, o banco central já afirmou que a perspectiva se tornou realidade: o PIB do país ficou 0,3% menor no segundo trimestre do ano, e encolheu mais 0,1% no período seguinte, configurando a recessão técnica.
Os Estados Unidos também admitem as perspectivas ruins. No início da semana, a presidente do Federal Reserve de San Francisco, Janet Yellen, afirmou que o país "parece estar em recessão", com crescimento zero no terceiro trimestre e expectativa de retração nos últimos três meses do ano. Na Alemanha, maior economia da Europa, os indicadores apontam na mesma direção.
Nos países em desenvolvimento, as projeções dão conta de que as economias continuarão crescendo, mas devem perder fôlego. O Brasil, que em 2007 teve alta de 5,4% no PIB, deve crescer 5,2% em 2008 e 3,5% no ano seguinte, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Mesmo a China, sempre de crescimento acelerado, deve perder o pique e crescer 9,7% este ano, frente aos 11,9% de 2007.

Emergentes não vão escapar de desaceleração

Invertia / Denise Campos de Toledo
20/10/2008
Passado o risco de um colapso financeiro, ficam mais claros os sinais de uma desaceleração mais forte de diversas economias e mesmo de recessão, como nos Estados Unidos. Queda de vendas no varejo, da produção industrial, da confiança do consumidor, da construção de casas, tudo isso confirma o processo recessivo da economia americana. Na Europa, a retração já é realidade para vários países, assim como no Japão.
Nem os emergentes vão escapar da freada. A China já registra, entre outros efeitos, a queda das exportações, o que vai acarretar redução das compras do País, podendo prejudicar fornecedores de matérias-primas, como o Brasil.
A crise pode ser mais abrangente e duradoura do que se previa, o que mantém o clima de incertezas e pode continuar prejudicando o mercado financeiro. Ainda é cedo para contar com a possibilidade de um comportamento mais estável, principalmente, das bolsas de valores. Novos dados negativos podem surpreender. E a piora do desempenho de empresas de vários setores, além da baixa dos preços das commodities, podem afetar as ações, apesar do ajuste pesado que o mercado enfrentou nos últimos anos, justamente pela antecipação do processo recessivo.
Importante observar, no entanto, a intenção já demonstrada por alguns governos de lançar medidas de estímulo à retomada do crescimento econômico, seguindo procedimento adotado para barrar a crise financeira. Ampliar os gastos públicos, estimular novos projetos, socorrer empresas, reduzir tributos podem ser algumas das alternativas, sem se descartar ações coordenadas como ocorreu com o lançamento dos pacotes de socorro financeiro a redução dos juros básicos decidida, simultaneamente, por vários bancos centrais.
Enfim, medidas podem ser tomadas para diminuir a intensidade ou a duração da crise econômica que, em princípio, só deve ganhar força nos próximos meses.

As Fuel Prices Fall, Will Push For Alternatives Lose Steam?

By Steven Mufson
Washington Post Staff Writer
Monday, October 20, 2008; Page A01
Just four months ago, a conference here on electric cars drew four times as many people as expected. District fire marshals ordered some of the crowd to leave, and the atmosphere was more like that of a rock concert than an energy conference. A brief film depicted an electric car owner driving off with a beautiful woman to the strains of "The Power of Love" while her original companion struggles to pay for gasoline. The audience cheered.
One discordant note in the series of enthusiastic speeches came from Bill Reinert, one of the Toyota Prius designers. He cautioned that designing and ramping up production of a new car takes five years.
"If oil goes down to $60 or $70 a barrel and gasoline gets back to $2.50 a gallon, and that very possibly could happen," he said, "will that demand stay the same or will we shift back up?"
It didn't take five years to hit those numbers. One type of oil shock has given way to another. Even more swiftly than the price of oil rose, it has tumbled to the range that seemed far-fetched when Reinert spoke and oil was more than $130 a barrel. Now that drop threatens a wide variety of game-changing plans to find alternatives to oil or ways to drastically reduce U.S. consumption.
"Declining oil prices can give us an artificial and temporary sense that reducing oil consumption and energy consumption is an issue we can put off," said Greg Kats, a managing director of Good Energies, a multibillion-dollar venture capital firm that invests in global clean energy.
The credit crisis is compounding that threat by making it more difficult to finance capital-intensive projects, whether they are new auto assembly lines or solar panels or wind turbines. General Motors has been touting the Chevy Volt as the first mass-marketed, plug-in hybrid vehicle. GM, which has been holding merger talks with Chrysler, believes the project will help justify federal financing. It hopes to deliver the car by the end of 2010.
Tesla Motors, a maker of a handful of pricey electric sports cars, had planned to unveil a cheaper sedan next year. But on Thursday it delayed the new model because of trouble lining up financing. It also said it would close two offices and has replaced its chief executive.
The uncertain future of electric cars points to a sticky aspect of the global oil equation. The price of oil can change rapidly, but responses that would cut petroleum use take time. As oil prices climbed, major automakers including GM, Mitsubishi, Renault-Nissan and Toyota moved ahead with plans to produce plug-in vehicles. But the first of those cars won't be ready for a couple of years. What the price of oil will be then, and what consumers' appetite for plug-in cars will be then, is anybody's guess.

Argentina's Trade Surplus Likely Fell in September: Week Ahead

By Eliana Raszewski
Oct. 20 (Bloomberg) -- Argentina's trade surplus probably narrowed in September from August's record high as a global financial crisis undermined exports to neighboring Brazil and declining commodity prices reduced earnings from grain and oilseed shipments.
In September, the trade surplus fell to $1.4 billion from $2.25 billion the previous month, according to the median of a survey conducted by the central bank among 56 economists. The National Statistics Institute will release September figures on Oct. 24 at 2 p.m. New York time.
``September was a turning point,'' said Lorenzo Sigaut, an economist at Buenos Aires-based research company Ecolatina. ``Lower commodity prices that are affecting our exports are combining with the current global financial crisis that is affecting Brazil and our other main markets.''
The Argentine Industrial Union, an association that represents the country's largest manufacturers, said in an Oct. 14 statement that weakening currencies in the region will hurt the country's trade surplus and economic growth.
``The deepest international financial crisis in recent times, the recent depreciation of the currencies against the U.S. dollar, and also against the Argentine peso, will affect output, jobs and threaten the country's trade surplus,'' the Buenos Aires-based union said in an e-mailed statement.
Sigaut said the country will probably fail to reach the $12 billion trade surplus targeted in next year's budget bill.
President Cristina Fernandez de Kirchner said on Oct. 14 that she would introduce safeguards on international trade to protect jobs and investments by local businessmen.
Argentina's customs agency has said it is preparing a list of reference prices for about 120 goods, including textiles and home appliances, produced abroad. The measure may result in increased import taxes on those items.
Markets Last Week
Last week, the yield on Argentina's benchmark 8.28 percent dollar bonds due in 2033 rose 84 basis points, or 0.84 percentage point, to 19.42 percent, according to Bloomberg data. The bond's price fell 1.95 cents on the dollar to 36.80 cents.
The Buenos Aires benchmark stock index Merval remained unchanged to 1216. Petrobras Energia Participaciones SA (PBE AF), the local unit of Brazil's state-controlled oil producer, rose 19.3 percent while Banco Macro SA (BMA AF), Argentina's fourth-largest lender, fell 14.4 percent.
The following is a list of events in Argentina this week:
Event Date
Budget Balance 20-24
Industrial Production 24
Shopping Center sales 24
Trade Balance 24

Sugar harvest advances have social cost in Brazil

By Inae Riveras
Reuters
Sunday, October 19, 2008; 8:09 PM
PRINCESA ISABEL, Brazil (Reuters) - Ines Ferreira dos Santos lives with four of her kids in a spacious, colorful house at the end of a dusty street.
"With money from sugar cane we built this house. It has been good to us, too good," the 43-year-old housewife said.
This is the eleventh year that her husband, Joao Barbosa dos Santos, has traveled the 3,000 kilometers (1,864 miles) to work as a sugar cane cutter in Sao Paulo state in southern Brazil.
This time he is accompanied by three sons, also laboring in the cane fields, and a daughter, who cooks for the group. Every month, they send 2,000 reais ($925) to the rest of the family.
The Santos' story is that of most people in Princesa Isabel, a town of 19,000 people in the arid backlands of Paraiba state in northeastern Brazil. With few other options to make a living, three out of 10 residents have worked as cane cutters.
The days are numbered for manual cane cutting, a grueling job once done by slaves, in top cane producing states such as Sao Paulo and Minas Gerais, which account for 70 percent of Brazil's sugar cane crop.
For environmental and public health reasons, cane burning in these states must be phased out by 2014 in flatlands and by 2017 in hilly areas. Similar initiatives are being discussed in fast-growing farming states Mato Grosso do Sul and Goias.
But the change is likely to have a big impact on cane cutters and the families who depend on them.
Controlled burning has long been used in cane plantations to remove foliage and make it easier for workers to move about the fields. But when humidity is low, thick clouds of black smoke billow above the fields.
Every year, a larger share of the crop is harvested by machines, a trend that is starting to drive up unemployment in faraway towns like Princesa Isabel.

domingo, 19 de outubro de 2008

Jornal Economia em Notícia - Edição 49

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Jornal Economia em Notícia - Edição 48

Mundo tem que abandonar obsessão por crescimento, diz New Scientist

BBC Brasil
17/10/2008
Em plena crise global, com governos e mercados preocupados com uma possível recessão mundial, a revista especializada britânica New Scientist foi às bancas nesta semana com uma capa na qual defende que a busca por crescimento econômico está matando o planeta e precisa ser revista.
Em uma série de entrevistas e artigos de especialistas em desenvolvimento sustentável, a revista pinta um quadro em que todos os esforços para desenvolver combustíveis limpos, reduzir as emissões de carbono e buscar fontes de energia renováveis podem ser inúteis enquanto nosso sistema econômico continuar em busca de crescimento.
"A Ciência nos diz que se for para levarmos a sério as tentativas de salvar o planeta, temos que remodelar nossa economia", afirma a revista.
Segundo analistas consultados pela publicação, o grande problema na equação do crescimento econômico está no fato de que, enquanto a economia busca um crescimento infinito, os recursos naturais da Terra são limitados.
"Os economistas não perceberam um fato simples que para os cientistas é óbvio: o tamanho da Terra é fixo, nem sua massa nem a extensão da superfície variam. O mesmo vale para a energia, água, terra, ar, minerais e outros recursos presentes no planeta. A Terra já não está conseguindo sustentar a economia existente, muito menos uma que continue crescendo", afirma em um artigo o economista Herman Daly, professor da Universidade de Maryland e ex-consultor do departamento para o meio ambiente do Banco Mundial.
Para Daly, o fato de o nosso sistema econômico ser baseado na busca do crescimento acima de tudo, faz com que o mundo esteja caminhando para um desastre ecológico e também econômico, dadas as limitações dos recursos.
"Para evitar este desastre, precisamos mudar nosso foco do crescimento quantitativo para um qualitativo e impor limites nas taxas de consumo dos recursos naturais da Terra", escreve.
"Nesta economia de estado sólido, os valores das mercadorias ainda podem aumentar, por exemplo, por causa de inovações tecnológicas ou melhor distribuição. Mas o tamanho físico dessa economia deve ser mantido em um nível que o planeta consiga sustentar", conclui Daly, que compara a atual economia a um avião em alta velocidade e a sua proposta a um helicóptero, capaz de voar sem se mover.

Brasil tem melhores fundamentos no Bric ante crise, analisa Merril Lynch

Reuters
17/10/2008
O Brasil é o país com melhores fundamentos macroeconômicos dentre os membros do Bric - bloco que também inclui Rússia, Índia e China. É o que afirma um relatório do banco Merrill Lynch desta quinta-feira que projeta os impactos da crise global sobre países emergentes.
"Quando olhamos para os indicadores estruturais de crescimento dentro do Bric, observamos que o Brasil oferece a história mais construtiva. Isso caracteriza um ambiente macroeconômico sólido, política monetária proativa e que seu crescimento não foi o mais beneficiado com bonança internacional", diz trecho do documento.
De acordo com o banco, os quatro integrantes do grupo serão afetados pela crise financeira mundial, embora nenhum deles deva enfrentar recessão. A expectativa do Merrill Lynch é que o colapso no mercado de crédito global atingirá com mais força Índia e Rússia.
Esta última, embora rica em recursos naturais, enfrenta condições adversas para crescimento econômico devido ao aumento da presença estatal na economia e a um sério problema demográfico de longo prazo.
Já a Índia também deve sofrer fortemente com o enxugamento do fluxo internacional de investimentos, mas é o país do bloco que oferece as maiores promessas, segundo o banco, por dispor de grande potencial de crescimento para consumo e urbanização.
Por fim, a China dispõe do maior volume de reservas internacionais, as menores taxas de juros, a maior taxa de investimento e potencial de crescimento - o que pode contribuir para um boom de consumo nos próximos anos. Mas será também a economia que mais vai sofrer com o enfraquecimento da demanda nos Estados Unidos e na Europa.
Em conjunto, os países emergentes como um todo vão responder por 78% do crescimento mundial em 2008, percentual que deve subir para 88 por cento no ano que vem, de acordo com o Merrill Lynch.
Por disporem de amplo mercado interno e de reservas internacionais que, somadas, chegam a US$ 3 trilhões, os membros do Bric podem ter uma combinação importante para impedir o mundo de entrar em recessão, segundo o relatório.

Argentina vai controlar a entrada de 21 mil produtos

BBC Brasil / Marcia Carmo
17/10/2008
O governo da Argentina aumentará o controle na entrada de 21.600 produtos estrangeiros no país, em uma tentativa de proteger a indústria nacional dos impactos da crise econômica global.
Segundo a assessoria de imprensa da Dirección General de Aduanas (DGA), órgão que controla a entrada de produtos na Argentina, será divulgada na próxima quinta-feira uma lista de mercadorias cujos preços e volumes passarão a sofrer controles mais rígidos. Produtos brasileiros, no entanto, não serão incluídos nas novas regras.
"A lista inclui produtos provenientes de dez países asiáticos e nenhum do Brasil", informou a assessoria do órgão, que também afirmou: "Nossa preocupação, talvez mais intensificada agora com a crise internacional, é a mesma que antes: a de que o Brasil ou outro país do Mercosul sirva de porta de entrada de mercadorias asiáticas com preços de dumping".
A lista deve incluir produtos do setor têxtil, brinquedos e calçados, entre outros, e deverá ser um dos assuntos da reunião prevista para a semana que vem entre autoridades dos países do Mercosul.
"Esse maior controle que faremos convém ao Brasil porque assim também estaremos evitando que produtos asiáticos entrem no Mercosul por aqui e afetem as indústrias e os empregos do bloco", informou o órgão.
No entanto, o jornal La Nación publicou em sua edição online uma entrevisa com o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, onde ele se mostrou contrário a medidas protecionistas.
Segundo o jornal, Mantega descartou um acordo com a Argentina para aumentar a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul e restringir importações de fora do bloco.
"Não acho que estamos caminhando nessa direção (alta da TEC, cuja cobrança máxima é de 35%). Neste momento, não devemos tomar medidas protecionistas em nenhum lugar. O protecionismo foi o que derivou na crise (econômica mundial) de 1929, quando os países se fecharam", afirmou Mantega.

Argentina faz acordo com bancos para aliviar dívida

AFP
17/10/2008
O governo argentino confirmou nesta quinta-feira uma operação de reestruturação de uma parte de sua dívida externa de cerca de US$ 150 bilhões, para ter acesso a novos financiamentos.
O acordo com três bancos internacionais está voltado para a renegociação de títulos, o que permitirá ao país aliviar pagamentos da dívida de entre US$ 1,8 bilhão e US$ 2,5 bilhões anuais até 2012, anunciou o chefe de gabinete, Sergio Massa.
A presidente Cristina Kirchner assinou o ajuste com representantes dos bancos Barclay's, Citibank e Deutsche Bank, que renova um acerto feito em 2005 mas que havia sido rejeitado, no entanto, por cerca de um quarto dos credores da Argentina.

Acordo Brasil-EUA abre sigilo fiscal de contribuintes

Revista Contábil / Claudio Julio Tognolli

17/10/2008


É inconstitucional o acordo bilateral que Brasil e Estados Unidos firmaram em 20 de março de 2007, permitindo a funcionários de ambos os países o acesso irrestrito a dados fiscais e bancários de investigados sob suspeita de fraudes tributárias. A opinião é de especialistas ouvidos pela revista Consultor Jurídico. O acordo, de 13 artigos e oito páginas, foi assinado pelo embaixador dos EUA no Brasil, Clifford Sobel, e pelo ex-chefe da Receita Federal do Brasil, Jorge Rachid.
No caso do Brasil, ficam sujeitos aos dispositivos do acordo os suspeitos de fraudes ao IRPF e IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Física e Imposto de Renda Pessoa Jurídica), IPI (imposto sobre produtos industrializados), IOF ( Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros), ITR (imposto sobre a propriedade territorial rural), PIS (Contribuição para o Programa de Integração Social ), COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido)
O acordo bilateral autoriza as autoridades fiscais dos dois países a fornecer, por telefone e informalmente, uma senha à autoridade do outro país para acessar os dados do investigado.
Para quatro advogados consultados pela ConJur, o acordo viola o parágrafo 1º do artigo 145 da Constituição Federal do Brasil, pelo qual o poder de fiscalização tributária de nascidos em território brasileiro deve ser exercido, exclusivamente, por autoridades brasileiras.
Destacam também que o artigo 49, inciso 1º, combinado com o artigo 84, inciso 8º, da Constituição, estabelece que cabe ao Congresso Nacional resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. Da mesma forma “compete ao Presidente da República celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos ao referendo do Congresso Nacional”.
Os artigos 5º e 6º do acordo são apontados como os mais inconstitucionais. O artigo 5º, por exemplo, descreve em seu parágrafo 1º que o acordo faculta “informações que devem ser trocadas sem satisfação” às partes investigadas, desde que o investigador “necessite das informações para seus propósitos de tributação”. O parágrafo 2º determina que os investigadores podem solicitar os dados do investigado mesmo “que não estejam necessitando, naquele momento, dos dados para seus propósitos de taxação”. O parágrafo 3º estipula que podem ser apreendidos para investigação objetos como “registros, livros, papéis, gravações e outras propriedades tangíveis”. A letra ‘e’, do mesmo parágrafo 3º, faculta acesso a “informações de posse de bancos, outras instituições financeiras, e qualquer pessoa, incluindo procuradores e depositários, que atuem em agências ou com capacidade fiduciária”.

Mexican companies face derivatives probe

Financial Times
By Adam Thomson in Mexico City
Published: October 16 2008 20:19 Last updated: October 16 2008 20:19
Mexico’s financial regulators this week announced an investigation into some of the country’s best-known listed companies in an attempt to reveal the nature of their use of foreign-exchange derivatives.
The announcement, confirmed by Guillermo Babatz, Mexico’s financial regulator, comes as a sudden and un¬expected scramble for dollars last week sent the peso to a 10-year low against the US currency. It also forced the central bank to spend about 11 per cent of its international reserves in less than 72 hours.
Initial suspicions, including those of Agustín Carstens, Mexico’s finance minister, have centred on the possibility that Mexican companies played a decisive role in the peso’s plunge as businesses ran to cover dollar-denominated debt and positions they had taken in exchange-rate derivatives.
The resulting concern about companies’ exposure to derivatives has compounded existing fears for Mexico’s corporate sector, which is highly dependent on the US economy.
Already, the share prices of iconic names on Mexico’s stock exchange are far below the highs reached towards the end of last year. Carlos Ponce, who heads stock market strategy at Mexico’s IXE financial group, says the enterprise value of Mexico’s listed companies as a multiple of earnings before tax, interest, depreciation and amortisation is now at a 10-year low.
“The impact of the US downturn and financial crisis on Mexican companies has been very, very, very big,” he says.
One potentially worrying sign came last week when Comercial Mexicana, the country’s third-biggest supermarket chain, declared bankruptcy after admitting that it had racked up $1bn (€746m, £580m) of debt through purchases of exchange-rate derivatives that had gone badly wrong with the recent appreciation of the dollar.
Guillermo Ortiz, governor of Mexico’s central bank, criticised the retailer for getting involved in what he described as “selling volatility”. He also reserved a special criticism of the banks behind the instruments.
“The investment banks that accepted as a counterpart a company that had nothing to do with the type of products it was handling – well, that to me suggests a lack of professionalism, to put it mildly,” he said.
As fears have grown that there could be similar cases yet to be discovered, some Mexican companies have issued statements during the past week clarifying the extent of their exposure to exchange-rate derivatives.
Cemex, which has a total debt of $16.4bn, 79 per cent of which is denominated in dollars, yesterday announced that its derivatives programme’s mark-to-market loss stood at $647m.
North America’s biggest cement maker also said it would reduce its workforce by 10 per cent this year and close plants, providing annual savings of $500m. In the US, Cemex is now forecasting drops of 19 per cent for cement volumes and 29 per cent from concrete.
Standard & Poor’s has downgraded Cemex’s long-term credit risk.
Other Mexican companies hit by derivatives include Alfa, the steel, paper and consumer products conglomerate, with a mark-to-market loss of $191m as of September 30.
Gruma, the corn flour and tortilla producer, had a mark-to-market derivatives loss of $684m on October 8 compared with $291.4m a week before.
On Monday, Fitch Ratings downgraded Gruma as a result of its exposure to such exchange-rate derivatives.
However, the biggest names in Mexico’s corporate sector are unlikely to go the same way as Comercial Mexicana. In addition, few, if any, were using derivatives for anything other than a hedge.
Cemex and others have pointed out that they have cash on hand to meet all of their immediate obligations and financing needs.
One positive factor is that, in general, Mexican companies with large dollar-denominated debt are generally exporters to the US and therefore have a natural cover for exchange-rate volatility. A second is that they have long-term debt.
For Sergio García, head of research at Value, a Mexican stockbroker, these facts provide more than enough confidence to dispel the worst fears. “The exposure to derivatives and to dollar-denominated debt is not a generalised problem,” he says.
As for the authorities themselves, they are playing their cards close to their chests. Refusing to mention specific companies and also clarifying that the investigation would centre on companies failing to comply with disclosure rules, Mr Babatz limited himself to say: “We know where to look and what to look for.”

Banking regulator calls for clean slate

Financial Times
By Peter Thal Larsen, Banking Editor
Published: October 16 2008 23:30 Last updated: October 16 2008 23:30
Financial regulators should be prepared to “wipe the slate clean” as they search for a more effective global regime in the wake of the credit crisis, the chairman of Britain’s financial watchdog has said.
Lord Turner of Ecchinswell, who took over as chairman of the Financial Services Authority last month, said regulators should be prepared to engage in a fundamental debate about how to set banks’ minimum capital requirements following state banking bail-outs in Europe and the US.
“When you’ve been through a crisis like this, it’s rather sensible to wipe the slate clean in terms of all your previous assumptions,” he said in an interview with the Financial Times.
Lord Turner also warned banks and insurance companies regulated by the FSA they would have to pay higher fees so the regulator could strengthen its supervision of institutions that pose a potential risk to the stability of the financial system.
“Bluntly, we have been doing supervision on the cheap,” Lord Turner said, arguing that the number of FSA supervisors monitoring large banks was much smaller than in the US.
His comments come after the FSA, along with the government and the Bank of England, forced a recapitalisation of Britain’s largest banks last week. The move has raised questions about the future of Basel II, the international framework for setting banks’ capital reserves.
Lord Turner said the rescues, while radical, were necessary and had helped avert an economic crisis. “Although there are still going to be macro¬economic consequences of what has occurred, I think we are past the point of the danger of where we were last week, where we could have had a fundamental systemic meltdown of the core plumbing of the world financial system.”
Lord Turner said regulators would also now have to examine mark-to-market accounting, bankers’ bonus structures, the way in which financial institutions transfer risks, and the frameworks for regulating banks’ liquidity and capital.
He said the capital reserves imposed on banks last weekend were necessary to restore short-term confidence, and that the watchdog would have to work on a longer-term framework for setting capital.
He warned, however, that it could be some time before an international agreement could be reached. Some regulators believe it is necessary to scrap the Basel II framework, while others believe it can be adapted.
He said the FSA would have to hire more people and be prepared to pay some higher salaries than it had in the past. “We are going to have to do supervision at the quality that is required to do it really well. If that means the total cost has to go up somewhat then it has to go up.”

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

UE: líderes tomarão medidas para enfrentar desaceleração

EFE
16/10/2008
Os líderes da União Européia (UE) reconhecerão nesta quinta-feira que suas economias passam por uma fase de "arrefecimento" e "contração", e se comprometerão a tomar medidas para enfrentar a crise.
Além da crise financeira e do socorro prometido aos bancos, os 27 países do bloco europeu reafirmarão seu apoio "à indústria européia", que já começa a sofrer as conseqüências da brusca desaceleração ou recessão, em alguns casos.
A chanceler alemã, Angela Merkel, deixou claro em seu discurso a portas fechadas diante dos outros líderes que "a economia real se dirige à estagnação, portanto, é preciso tomar medidas", segundo fontes européias.
O presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, se mostrou preocupado pelo efeito da crise financeira na economia e pediu que a Comissão Européia (órgão executivo da UE) assuma um papel de liderança ao propor medidas.
Em linha com essa preocupação, a presidência rotativa da UE - nas mãos da França - propôs aos líderes europeus um acréscimo às conclusões da cúpula no qual os governantes se declaram "determinados a tomar as medidas necessárias para reagir ao arrefecimento da demanda e à contração do investimento, e, em particular, para apoiar a indústria européia".
Os líderes encarregarão à Comissão Européia de preparar propostas específicas até o final do ano. A continuação das reformas estruturais é "mais importante do que nunca" para voltar ao crescimento e melhorar o emprego na Europa, afirma o projeto de conclusões.
Os 27 líderes também ressaltam que o apoio à atividade econômica "passa por um nível de financiamento suficiente" e, a este respeito, comemoram a decisão do Banco Europeu de Investimento (BEI) de mobilizar 30 bilhões de euros para as pequenas e médias empresas.
O comunicado final da cúpula de Bruxelas também reiterará o compromisso de respeitar nestes tempos de crise a disciplina orçamentária.
As políticas nacionais "devem continuar no marco do Pacto de Estabilidade e crescimento revisado", que obriga a manter os orçamentos em equilíbrio ou com ligeiros déficit, não superiores o 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
A proposta da presidência acrescenta, no entanto, que a aplicação do pacto "deverá refletir igualmente as circunstâncias excepcionais que atravessamos, como prevêem suas regras".

Produção industrial dos EUA tem maior queda em 34 anos

Dado reforça expectativas de que o país possa entrar em recessão.
Preços ao consumidor ficaram estáveis em setembro.
G1
16/10/2008
A produção industrial dos Estados Unidos caiu 2,8% em setembro, a maior queda desde dezembro de 1974, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (16) que reforçam os temores de recessão. Em relatório, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) argumentou que a queda foi exacerbada pelos furacões Gustav e Ike e por uma greve na Boeing.
No terceiro trimestre, a produção diminuiu 6,0%, de acordo com taxa anual.
Mais cedo, o governo dos EUA informou que o índice de preços ao consumidor do país ficou estável em setembro, por conta da queda nos custos de energia, dando nova evidência de menor pressão inflacionária.
O chamado núcleo do índice, que exclui os custos de alimentos e energia, considerados mais voláteis, também teve variação menor do que a esperada, subindo 0,1% em setembro e não 0,2%, como estimado pelos analistas. Em agosto, a alta foi de 0,2%.
Em setembro, os preços da energia caíram 1,9%, seguindo queda de 3,1% registrada no oitavo mês de 2008. Os preços dos alimentos cresceram 0,6%, repetindo a taxa apresentada em agosto. Os dados são do Departamento do Trabalho dos EUA.